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Boa-noite – Thiago Amério

Pizza com vinho.

Pizza com vinho.

Nas rádios duma cidade
que se diz do petróleo
já ouvi na rádio a vaidade
que diz que – pra ser feliz
basta um vinho, uma poesia
e uma boa companhia.
 
No som de Oswaldo
já ouvi que ‘a vida
passa num instante
e um instante é
muito pouco pra sonhar’…
 
(também que)
‘Quando a gente ama
Simplesmente ama
É impossível explicar’.
 
Eu digo que hoje
Pra fazer doce
Sairei sem o melhor
Beijo da boa noite.

Historieta do amor que alimentava II – Thiago Amério

laranja

 

Hoje tarde, atordoado, bebi suco de laranja. Sei que não era a maior necessidade maior do homem (beber), mas na praia, sozinho, estava delicioso. Sempre fui uma pessoa que deixava o sono e a fome me controlar. Hoje eles são mais fracos do que eu pensava. Nunca foi assim. Desde sempre. Mas, hoje, tudo é diferente.

As horas demoram e a fome, bem mais tarde, que vem.  E mesmo acompanhada do sono, não é essa companhia que me preenche.  Sou preenchido por algo que seduz o homem. Quem conduz a fome e o sono pra (eles) chegarem devagar na cabeça da gente.

A vontade de dormir chega, tal como, a vontade de me preencher. Quanto tempo será que dura (o fazer-se de difícil pra não ser mais um da lista) isso? Quando se come bem e depois se cospe a fruta fica encantada, afinal, qual o porquê de não se comer bem de novo? O que eu (fruta) tenho que fazer para que a vontade de comer (de novo) nunca acabe? Já nem sei se tenho fome ou sono. Saio… está escuro… (é que já são 20:30 h). Deito e finjo não me importar. Quero dormir pra me saciar. Quem sabe no sonho da alforria eu me alimento?

Saudade – Flávia Paiva

saudade
 
Sentimento que aflige o coração
Sincero e derrotando a razão
Emoção que chega de repente
Trazendo esperança pra gente
 
Esperança de dias melhores pra sempre?
Ou só mais uma ilusão de nossa mente?
Enquanto tudo é tão confuso e belo
Só me resta a certeza do que quero
 
Querer viver um sonho acordada
Admirando a lua na madrugada
Com alguém que sabe o que diz
Nobreza de caráter, isso vem de raiz
 
É certo que nada vem por acaso
Faz parte da vida até mesmo o descaso
Que nos ensina através da dor
Que nem sempre reconhecem nosso valor
 
Os olhares expressam a alegria
Quando a paixão invade o peito
Sentindo no toque da pele (feliz dia)
O que há tempos não sentia
É o amor, não tem jeito
 
Quanto tempo dura a felicidade?
Será eterna, basta se permitir
Colhendo os frutos da verdade
Duas almas voltam a sorrir

Historieta do amor que alimentava I – Thiago Amério

remédio da fome e do sonoHoje cedo, acordado, percebi que a fome não era a necessidade maior do homem.  Nem mesmo o sono.

 

Sempre fui uma pessoa que gostava de dormir e de comer. Costumava acordar às 07:00h com fome e sono. Sempre foi assim. Desde o tempo da escola de alfabetização. Mas, hoje, tudo é diferente. As horas demoram e a fome não vem. A vontade de dormir se transforma numa intenção de espera. E… Pera aí.

Busquei a pêra da geladeira. Saciou a minha fome. Claro, já são 22:00 h. E hoje eu não comi nada. E hoje eu não dormi nada. Mas me sinto saciado. O que será que aconteceu? Como a fome e o sono, necessidades humanas, se perdem por ele? Será que é amor? Ou existe um remédio que sacia fome e o sono ao abrir a janela e respirar o ar poluído da praia de Imbetiba?

Andre Antunes – Amor Perfeito

borboleta
Cresce uma flor na terra
No peito
Na encosta da serra
Lugar estreito

Crescimento sutil
Insuspeito
Ante a dor, é gentil
Rarefeito

Rompe a semente
Quebra a casca
Germina na mente
Ante a nevasca

Vence dura batalha
O Mau tempo
Brota! Cresce sem falha
No contratempo

É primavera, note que surge:
Pequeno botão
Nasce! Beleza que urge
Acima do chão

Sinta o cheiro, o perfume!
Doce, juvenil
Planta que brilha e lume
Brilho pueril

A flor atinge a grandeza
Desabrocha!
Com cor, graça e beleza
Vence a rocha

Com a borboleta reparte
O pólen doa
Um beijo no pouso! É arte
Assim ressoa

Ela espera para se conectar
Esse momento
De doar ao inseto o néctar
Do sentimento

Qual é o nome da flor?
Essa, do peito?
É Simplesmente amor
Amor- Perfeito!

Mulher escondida do Spotted – Festa estranha

vendada
Fulano… com você eu faço qualquer tipo de festa, americana, indiana, tailandesa, mexicana. Vem explorar meu corpo de norte a sul, leste a oeste. Vamos fazer uma festa particular, só eu e você.

Criança Interior – Thiago Amério e Vitor Valente

Porque juntos nosso amor irá transformar corações, unir as nossas vozes, despertar emoções.
E a criança interior irá, brilhar, de novo.

Orgia da Palavra – Carla Guedes

Orgia da palavra:
Poesia.

Que brota no pátio,
no trago, no ócio,
no espanto;
Serpente destilada
do lancinante pranto,
e do prazer.

Homilia da palavra:
Poesia.

Que nasce do avulso,
da farsa, do aposto;
erigida do susto, do tido,
do oposto
existencial que é ser.

Moradia da palavra,
arritmia da palavra,
extasia da palavra:
Poesia.

Acima da orgia,
da homilia,
da antropofagia,
da urgência do meio dia,
da agonia, e do querer.

(A poesia, definitivamente,
é coisa deste mundo).

Como o sol – Renato Miguel

Do meu canto na sala de aula eu nada observava, a não ser o livro aberto sobre a carteira. As palavras passavam em borrões que nada significavam, e a cada parágrafo lido outros três eu retornava, derrapando na leitura despretensiosa e desatenciosa. O burburinho à minha volta era uma cacofonia ininteligível, e pouca atenção também lhe dava. Foi quando ela entrou, andando rápido, mas sem pressa. O tronco vinha ereto e o queixo erguido denotava um desafio natural à própria atmosfera que a cercava. Cada passo era uma firme decisão, enquanto arrastava as sandálias rasteiras, arranhando o chão quase com desdém. À sua frente ela abraçava uma pasta cor-de-rosa, e me peguei imaginando que tipo de segredos ela guardaria. Escolheu rapidamente um lugar no fundo da sala, do lado oposto ao meu e, assim como eu, pôs-se a esperar a palestra começar. Também como eu, parecia entediada, mas, diferente de mim, não pareceu aperceber-se da presença de mais ninguém. Tudo o que fez foi aguardar. Retirou a bolsa dos ombros, pôs sobre a carteira, e a revirou um pouco à procura de algo, retirando um espelhinho de um estojo de maquiagem. Depois mirou a própria face, dando um sorriso sem mostrar os dentes e sem brilhar os olhos. Os cabelos eram uma torrente de água negra que se derramava sobre as bochechas e os embros, emoldurando o belo e agudo rosto de fada. Os olhos eram grandes e delineados por uma cuidadosa maquiagem, que lhe alongava os cílios. Castanhos, os olhos pareciam flertar com um escuro tom de verde, refletindo num brilho vívido a sala ao redor. O rosto claro parecia brilhar, embora a luz mortiça do fim da tarde nada tivesse a ver com isso. Não notei que a olhava fixamente até que, de inopino, ela retribuiu brevemente o olhar. Um grande embaraço me atingiu, feito uma rajada de vento, e por um momento o meu coração se agitou no peito, como uma mosca presa em um copo. Ela percebeu. O meio sorriso, os olhos baixos no colo e as maçãs rosadas do rosto a denunciaram. Tentei me recompor. Voltei a atenção ao livro sobre a mesa. Já havia se fechado sozinho pela tensão da brochura. Não liguei, já pouco lembrava do que havia lido. Tudo em que eu pensava era na estranheza daquela menina, nos olhos claros e cabelos escuros. Na pele branca e no sorriso mais branco que a paz. Era a paz. E era a guerra. Dali eu não sairia ileso. Recolhi minhas coisas, e corri. Fugindo em direção à segurança da timidez. Do nada fazer, pois só quem deixava as trincheiras recebia uma bala no peito e sangrava até a vida acabar. Como o sol, eu só observei. Emiti e absorvi seu calor. Ah, o que seria do homem sem o medo de se ferir. Era a sobrevivência. Nada mais importava. Fui embora com um sorriso no rosto, para nunca mais voltar.

Saia(s)sim – Thiago Amério

– Saia assim. Saia não.
Saia sim. Sem medo então.
Sai daqui.
 
Quer virar tela antes de entrar na janela, donzela?!
 
Como o poeta se inspira com tinta de vazio no ar?
Como, ela, metida, entra de saia no meu pensamento,
sem sequer, permitir-se, voar?
 
É, no fechar dos olhos só vejo ‘ela’.
E, de manhã, sairá com a saia dela.
                                                                
Eu, mesmo na moda, não visto a cela
daquela saia que sem merecer
usa no dia a dia com os outros
afinal, não sou irlandês ou gay
pra aceitar esse desgosto.
 
Embora não mereça ela entrou,
vestida,
com corpo de dama e jeito quente,
apesar de se restringir a mente, dele,
que já a sente.
 
Ainda que seja em pensamento,
quando está no chuveiro quente,
fecha os olhos e a saia não sai.
 
Porém, passam outras saias na tela mental…
Só que nela, ele gruda seu sentimento carnal.
 
Mas não faz mal. Porque ela diz fazer espetáculo
e no circo dele está como protagonista principal…
apesar de dizer não culminar fazer
e querer não expressar o viver.
 
– Saia sim. Saia não.
Saia sim. Sem medo então.
Saia assim.
 
Mas ela só quer o melhor dele nela.
E ainda insiste em não entrar na janela.
Dá pra entender a donzela?
 
Saia dela.
 
Embora pra ela, até hoje, querer fosse poder.
Pra poder ser a saia dele, muito deve acontecer.
 
Assim, saia sim ou saia dele com a saia das donzelas.

(A)tração – Thiago Amério

no tempo derrete

Atrai…. ação no caminho!
 
Pior que quando entra pelo peito
não há movimento que se perceba
como entrou, onde entrou e pra onde vai…
só se sabe quando está lá e que não dá pra controlar.
 
Atrai…. ação no caminho!
 
Não dá pra parar, pra deixar sair…
como esquecer aquilo tudo que
um dia pode vir a ser?
É certo que o tempo é capaz de esfriar
mas a força da atração já mostrada no segredo
é a maior força do mundo.
Dá vontade e gosto de quero mais…
no fundo, é a maior arte da vida.
Porque não dá pra ver… só pra sentir a magnitude
quando estamos, do nada, mutuamente conectados.
 
Atrai…. ação no caminho!
 
Tem  o haver da pele, do “flow”
(de fluidez), da magia, do sigma,
da sintonia, da avidez…
 
Atrai…. ação no caminho!
 
Sabemos, também, sua relação no belo
porque é nele que ela consegue confortar a carne
cujo prazer simboliza o apogeu dele…
 
e veja, o prazer pode ser com cerveja,
nas paredes pelos orgasmos…
na sensação de preenchimento
quando nos sentimos completos
no momento que uma boa companhia
toca nossos cabelos, nossa boca,
nosso carinho, na hora de unir pro vazio
(deste mundo tão cruel, superficial e sombrio),
tornar-se  completo pela atração agida, direta.
 
Atrai…. ação no caminho!
 
A música, a poesia, a dança,
o grafite, o teatro, o sentido do filme,
também atraem a donzela.
E se ela quiser sair quando já entrou?
Quando já está conectado não tem jeito…
só com a arte do tempo pra esfriar
e preencher no peito outro tipo de paixão!
 
E se ainda perdurar, talvez seja além da atração…
ou será uma mero sentimento mundano e passageiro?
Quiçá pode ser o amor do destino…
ou apenas só mais um da caminhada.
 
Na verdade o difícil é achar
não tem resposta armada
mas a paixão já é o começo
E aí? O que fazer? Deixa esfriar?
 
Ou é melhor se jogar de cabeça?
Ou é melhor esperar o tempo “certo”
para que no final nada aconteça?

Muito menos em você – Thiago Amério

Como a vida é imprevisível, muito mais pra mim, rompi a pausa pro tempo do sucesso mas voltarei no dia dos touros.
Tempestade em copo d'água.
Em ritmo ingrato,
de norte contrariado,
nada responde a sorte,
de encontrar tudo ótimo
sempre entregue, de bom grado,
pelas mãos dos quem te servem.
E não precisa de articulações
pra aceitar uns com muito
e outros com muito menos.Muito menos pra mim, já que…

é nítido a desigualdade material,
as oportunidade desproporcionais,
as inúmeras diferenças no olhar de
quem só vê pela lente da glória pessoal.

Enquanto não haja ofensa sentida na pele,
quem muito tem, pouco se sensibiliza,
do outro lado por uma simples besteira,
caso o ego supremo se fira, logo se humaniza,
chorando com birra aos quatro cantos da feira
clamando pra si e pros outros condutas da freira
Madre Tereza.

Agora quão contraditório é,
sofrer menos pelos outros,
muito por si, evidenciado que a eficácia dos “nós”
só funciona quando não tem contrariedade
no doce destino entregue sempre certo e sem alarde.

Estrela desinteressada desce do pedestal,
cobre dos outros aquilo que faz,
e muito menos sofrerá no jaz.

Poema Cinza – Carla Guedes

Mudando bruscamente, do Vermelho para o Cinza, prossegue a Parte II da Trilogia das Cores…

Cinza o tempo
Cinza o vento
Abril cheio de névoa e fuligem
Nesse cinzeiro atmosférico

Cinza a roupa,
O asfalto,
O metal,
O concreto

As cinzas no peito
E um coração
Em descoloração,
Estático…

O cinzel:
Outro coração
Assintomático.

Pausa pro tempo do sucesso – Thiago Amério

Infelizmente, sendo incoerente com o título, só volto no dia do touro…
colocar na geladeira pra não ficar banal pela quantidade…
a dose não pode ser cavalar, sob pena de não ser compreendia ou lida…
poesia misturada e pouco valorizada
 
Aquilo que se vê todo dia:
 
como o jantar em família,
(continuamente desvalorizado;)
 
como a esposa que sorria
(de avental pro marido
quando o servia;)
 
como o elogio da tia;
como o detergente da pia;
 
(como o feijão que sacia;)
 
como o amigo da companhia
(da noite mundana vadia);
 
como o amor que amacia;
como o passado vivido da nostalgia;
 
como a mamãe para as crias;
 
como Didi pro Zacarias;
 
como a letra que eu lia
(ignorada por idiotas manias;)
 
como a labuta da Maria;
como a ferida que ardia;
como a queimação da azia.
 
Tudo do cotidiano visto diversas vezes,
covardemente, deixa de ter valor,
porque alguns jornalistas tornam o todo banal,
como se a mesma notícia saísse no jornal.
 
Eu trago uma tentativa boa e bela,
mas há quem fique enjoado,
mesmo que um dia por algum poema
tenha sido, verdadeiramente, tocado.
 
Mas a eles só possuo pena e desejo sorte
nas respirações e experiências do dia a dia
porque não vou virar marqueteiro
só pra criar o clima de quero mais.
 
Se tiver que escrever sempre
e somente contagiar uma pessoa,
já fiz meu papel no mundo e
nada me abalará…
 
porque nem ela – a maior melodia –
se entristece neste mundo, ao ter que ficar calada,
pausada, pra fazer o doce necessário ao sucesso…
 
quantas vezes, ela, uma mera poesia,
em meio a inúmeras, aparece,
e sem buscar resultado, padece,
desvalorizada por sua própria magia. 

Se mudar – Thiago Amério

Poesia feita há anos, guardada e, portanto, perdida até então.
Mas como sempre há tempo para mudar.
Após o dia da mentira. Vamos lá, a verdade, prevalecerá. Vá.
 
mudança
 
 
Quanto mais a gente pensa que sabe,
mais estamos dispostos a errar e,
errando podemos quem sabe,
iniciar a mudança…
 
Mas não é um “se mudar” comum
é um “se mudar” diferente,
que só quem sabe (a gente)
consegue distinguir…
 
Porque se mudando,
sem saber o porquê,
não é um “se mudar”,
é sim a anulação da própria personalidade.
 
Veja, não menospreze os erros de verdade
posto que só com os desatinos 
sabemos qual é a nossa cara.
 
E assim, mudando-a, na medida do possível,
o nosso destino melhor tornar-se-á mais crível.
 
Já que caindo se aprende a caminhar,
e errando, quem sabe podemos,
no (en)fim, mudar.