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Um fim – Thiago Amério

O fim nem sempre é o mesmo fim. Por mais que muitos iguais a mim tenham terminado como heróis da terra (porque moveram multidões) em overdose ou com AIDS de “viado”.

Não significa dizer que pra todos o fim é assim.

ciclo

ciclo

Até porque a vida é um ciclo e,

como tal,

não se fecha.

Ou seja, não se extingue,

prolonga-se eternidade afora.

E pela lei natural da colheita, o que se planta, mesmo em enfeite (com exibicionismo, orgulho, vaidade e egoísmo), se colhe. Prorrogando (ou não) nossa estadia. Não adianta cultivar encanto e querer o sucesso pelo sucesso. As atitudes das palavras que movem o homem de bem. Os frutos (das atitudes ou do já plantado) falam por ele, assim como, o modo com quem tratamos aqueles que não têm nenhum interesse (condicional) por nós. Como o filho trata o pai, a mãe, o irmão e vice-versa.  Não há hierarquia entre os homens, assim, a máscara social ( que cai entre os mais íntimos) é retirada, independentemente, do próximo que interagimos ou de sua posição familiar, social, econômica ou moral. Quer seja “poderoso”, quer seja “fraco”. Nossa verdadeira força está em domar nossas más inclinações. Não somos lineares ou perfeitos, mas podemos nos esforçar um pouco para podermos cobrar o mundo melhor que tanto queremos.

O prazer insaciável e constante dos prazeres (drogas ou sexo) não pode vencer o ‘Rock’ que não rola na dança que termina nas cadeiras vazias e podres. O Rock que Roll(a) de verdade é forte, não precisa ser dependente de artifícios efêmeros. É ele, por si – na transferência de energias – que contagia o resto (que vem com ele) só segrega se abusado.

Felicidade consumerista é diferente de felicidade incondicional. Portanto, basta agradecermos a chance de respirar, podendo ser nós mesmos, sem amarras, sem preconceitos, sem buscar em algo um momento de prazer vazio, rápido e passageiro. Quando focamos (só) nesse prazer, ficamos dependentes, não da felicidade, mas daquilo que se consome para alcançá-la. Daí, quando acaba-se, nada tem-se mais a buscar e a felicidade, óbvio, acaba.

Chega de fugas. Chega de máscaras.

Conheça a si mesmo e ande (pelas próprias pernas e forças). Segue o bem e vai. Quem tem a blindagem da boa ação, da boa vontade, do suor e da essência da fé, nada teme.

Os extremos causam doenças. Overdose de inconsciência ou de avidez. Assim, o equilíbrio é nossa balança principal. Pese, pense, reflita, critique, duvide e aja. Só não demore muito, porque, o tempo do fim, pode chegar. E a finalidade (da vida) no fim, por seu si próprio irá cobrar.

Amigos, ando preocupado… – Renato Miguel

Ando preocupado, pois é verdade que hoje há algo que me inquieta. Amigos me chamam de parte e perguntam-me se vou bem. Querem saber se estou equilibrado. Pergunto porque e me dizem que escrevo sobre dor e sobre morte; sobre memórias queimadas e esquecimentos eternos. A eles não adianta tentar explicar que o papel e a tinta vagueiam por lugares que frequentemente nunca vimos. Não adianta explicar que muitas vezes a arte é como um sonho, recortes de pensamentos formados por mistos borrados de experiências que nem sempre vivemos, que são baseadas em mero temor ou mera estética descritiva, mas vá lá, a preocupação tem o seu valor. E também têm os amigos. E é por eles que hoje falo sobre alegria, uma forma imediata de felicidade. Se alegria é ser tomado por louco por conta de uma risada aparentemente imotivada em um ponto de ônibus; se é rir com os amigos acerca de histórias, a priori, absurdas para aqueles que a ouvem de longe; se é enxergar os erros e deles extrair a vontade de acertar; se é buscar em novos sorrisos a vontade de também sorrir; se é crer no amor, a despeito das provas contrárias que a vida sinaliza diariamente; se é olhar pra trás com carinho, mas olhar ainda mais intensamente à frente, imbuído de saudável ambição; e se dizem que a vida é feita de momentos isolados, e esses momentos vêm frequentemente sarapintados de alegria, então, amigos, ergam suas taças, pois temos hoje algo a celebrar.

Macaé, 06 de junho de 2013.

A volta do grito ao surdo e da cor ao cego (Capítulo I [Parte 1]) – Thiago Amério

Em meio a volta daquela viela, no pôr do sol de junho, o cego, chamado Sioloé, homem nobre que sabia ver além, cantou em bom tom aos quatro ventos:

Janio-Quadros

– Quem sabe dizer, de que cor é o amor? Então diz por favor… de que cor é então? É da cor da bondade, caridade e perdão…

O surdo, batizado de Efatá, observando aquele então desconhecido cantarolando, e como de costume, apesar de sequer ouvir (ou perceber sua cegueira), julgou-o como doido. Pensou consigo:

– Como pode, um homem tão bem vestido, de óculos escuros, bem na hora da saída, gritar aos ventos só?

Como não compreendia a diferença entre grito e canto, o surdo que não lia, continuou varrendo a rua, como há muito tempo fizera, desde quando tinha, gesticuladamente, pedido (e recebido) ajuda do prefeito logo após a morte de sua mãe (solteira) que na época servia leite ao governo municipal.

Ao passo que Sioloé cantava Efatá varria.

RF no arranjo transverso da outra vida – Armandinho


Diretamente do outro lado, onde
há valor a vida, arranjo ensaiado…

“Talvez não seja nessa vida ainda,
mas você ainda vai ser a minha vida(…)
pode crer que tudo vai dar certo…” 
 
 
 

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Memórias que ardem – Renato Miguel

Usava o atiçador para revirar o braseiro, e o fogo da lareira crepitava. Empunhava-o na mão esquerda e enquanto tentava provocar o calor do fogo de modo a aquecer toda a sala. Fazia frio, embora fosse novembro. Imaginava se a temperatura do ar teria realmente algo a ver com a estação. A fuligem saltava ao ar e tornava a baixar, voltando a subir logo em seguida. Cinzas. Poderiam ser resíduos de fotografias, cartas ou mesmo lenha carbonizada. Agora já não importava. Eram cinzas, farelos pálidos do que um dia já foram, assim como as memórias eram sombras etéreas do que foi passado. Mas cinzas iam ao lixo, ao passo que as memórias sempre voltavam para lhe assombrar. Lutava contra elas, mas lutava, sobretudo, contra si mesmo e essa era uma batalha perdida, ou uma reprise da mesma batalha, cujo final já lhe era há muito conhecido. Entendia o segredo para a fuga, devia manter a mente ocupada. Desistira dos livros, embora estivessem empilhados aos montes nas altas prateleiras que rodeavam a sala. Talvez também devessem ir ao fogo, pensou. Largou o atiçador e esquadrinhou o ambiente, à procura de algo que lhe tirasse daquele lugar de sua mente que lhe puxava, como um redemoinho numa cachoeira. Havia ali uma revista, repousando sobre o criado-mudo ao lado da grande poltrona de couro na qual estava jogado – daquelas que a cada quinzena traz um grande acervo de novidades a respeito da natureza. A capa estampava borboletas e tartarugas. Abriu na página correspondente e leu uma porção da matéria. Aprendeu ali que havia uma espécie de borboleta que se metia a beber as lágrimas dos pobres quelônios. Pensamento irônico e familiar, pensou, imediatamente evocando, a contragosto, outra torrente de memórias do tipo que tentava desesperadamente se esquivar. Via em sua mente, agora, os velhos festejos. Lindas borboletas dançavam pelo salão. Nas mãos levavam taças e copos, porque bebiam vinho, mas o que queriam mesmo eram as lágrimas. Estas, no entanto, se contentariam com as de qualquer animal.

Aquilo já era demais, pensou ele. Estava enlouquecendo, era certo. Fechou a revista e a atirou também ao fogo. Mais uma pequena memória que virava cinza. Mais tarde a reviraria com a pá e o atiçador, e o processo teria início outra vez: a fuga, a luta perdida, a memória carbonizada que reviveria como uma fênix assim que olhasse em volta em busca do que se ocupar.

Talvez no fundo esse velho sentisse pena de si mesmo. Nada mais lhe estimava, nem a grande lareira, ou a invejável coleção de livros, tampouco os criados e os móveis de pesada madeira que preenchiam a mansão que lhe dava abrigo. Sentia-se como um brinquedo quebrado em um mundo de adultos. Talvez esse destino lhe fosse merecido, por toda a dor que também causara. E talvez todas as lágrimas vertidas tenham traçado um caminho justo pelo velho rosto marcado por profundas linhas de expressão e pela ausência peremptória de sorrisos; e talvez todas as bordoadas que levara tenham sido obra de um professor severo, porém honrado. Mas essa verdade ele não enxergaria, pois a ele faltava a sabedoria de um velho, embora de velho guardasse os anos vividos e os cabelos cinzentos. Ali ficaria, manejando a lareira, aquecendo o ambiente em pleno verão, mastigando e cuspindo memórias que ardiam, mas que desejava mais que tudo esquecer. Ficaria imerso em um ciclo de amargura que lhe levaria à loucura e, por fim, à morte: o doce e perene esquecimento.

03 de junho de 2013.

Entrei no reino da princesa – Thiago Amério

Na sexta de festival, continuo, em poesia,

às 22:22, trago

a resposta do príncipe já profetizada

anteriormente.

 Princesa, real, é donzela leal.

Princesa, real, é donzela leal.
 
Entrei de cabeça pela cabeça
da princesa do reino,
 
a questão é que nessa cabeçada
não fiz o gol, esqueci da minha
e quase parei na estrada.
 
A fome que me saciava por sua língua
era fruto de um jogo de egocentrismo.
 
Todos me avisavam que o mundo
era maior que o reino dela.
 
Queria ser rei, mundano e do céu.
Queria dar véu e ser o gengibre com mel,
sem a cachaça que tanto já a entorpeceu.
 
Mas o reino era de historieta mal_dita.
 
Só a donzela não percebe o inferno a sua volta.
Cavando o seu próprio destino, solta e torta.
 
Ao mesmo tempo que se perde,
troca a energia dos poucos que ainda apostam nela
por migalhas de exibicionismo e de narcisismo.
 
Na verdade, a prioridade que me fez sonhar
não deixou tantas saudades.
Nem era a princesa.
 
E agora eu sei
a saudade do nada vivido,
passa, rápido, em colorido.
 
Quem vive do bom amor dos outros,
da areia de bom grado sempre doada,
não aprende a doar-se na mesma proporção…
 
porque a verdade é que receber é mais cômodo
e quem só acostumado a ganhar está,
se doar tem até vômito.
 
Há ainda no recôndito do ser, espaço pra mudar
fazendo o que apenas se fala
sendo proporcional na cobrança dos impostos
dos súditos, em riste, dispostos…
 
tanto é que, no fundo, conseguiu (me) encantar,
como já fez com inúmeros reinos,
porém, pensou que iria me ganhar,
fácil iria me adaptar ao seu jeito de enganar
 
Mas eu entrei (agora) na cabeça dum príncipe
que era príncipe,
e como tal deve ser leal,
aos princípios que ergueram,
seu castelo em conjunto,
tijolo em valor igual,
ao mundo recíproco, puro e real.

Entrei na cabeça do príncipe – Diana Brasil

Após o cansaço da mentira,

vamos voltar aos contos de fadas antes do futebol

(comprado) pra televisão.

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[Continua, em breve, com a resposta do príncipe em poesia.]

Entrei na cabeça do príncipe
E era tudo mentira
 
A cor que preenchia os olhos
Escondia o coração vazio
 
O príncipe era do mundo
Queria ser rei
 
Ele que me fez sonhar
Que me deixou tantas saudades
Nem era príncipe
 
E agora eu sei
E saudade passou
 
Entrei na cabeça do príncipe
Era tudo mentira
 
O príncipe vivia do amor dos outros
Dos sonhos que provocava
Das verdades que não falava
 
Tanto fez pra me encantar
Pra me ganhar

Mas eu entrei na cabeça do príncipe

E o príncipe nem era príncipe.

 

Cansaço da mentira – Eduardo Lima

Uma hora a gente cansa, não existe tempo pré-determinado, mas a gente cansa! A gente cansa de querer ajudar quem não quer ser ajudado, cansa de esperar certos dias que nunca irão chegar, cansa de não receber o devido valor, de dar valor de mais, a gente cansa de amar de mais e no final aprende que importante mesmo é gostar da gente mesmo, nos ajudar de verdade, nos amar de verdade. O único problema é que quando chegamos nesse ponto, é quase impossível voltar a ser ingênuo e voltar a acreditar nas mentiras do dia-a-dia…..

tired

Bolo delícia – Eduanny Dutra

Na arte também tem DOCE e ele aponta pra esse bolo da Duda!

Devido ao sucesso em seu aniversário ela está fazendo (repondo a delícia) por encomenda através de INBOX com o depósito de um sinal do pedido.

Entrega no RJ e na região dos lagos, preço a combinar a depender do tamanho e do recheio, garantia de carinho e doçura no preparo e na degustação.

Ela faz aniversário e a gente ganha o bolo-presente!

Ela faz aniversário e a gente ganha o bolo-presente!

A volta do grito ao surdo e da cor ao cego (Introdução) – Thiago Amério

Naquela cidade fria e cinzenta, dominada por dinheiro e óleo da terra (jogado no mar), dois cidadãos foram dar uma volta.

uma volta

Observavam, numa rua esburacada, a noite surgindo. Não se conheciam ainda… embora muitos tenham dito que haveria muito a fazerem juntos. Mas pensavam (em tempo e lugar distintos): – são só mais alguns profetas que não sabem o que dizer e nos obrigam a fazer coisas. Todo domingo é a mesma coisa. Após o culto falam que vamos encontrar com alguém e fazer um mundo mais bonito e feliz. – pensavam ambos.

Entretanto, entre esses dois transeuntes (até então desconhecidos), naquela estrada mal acabada e friorenta, havia algo que impediria bastante seu encontro. Algo que em época moderna é bem sanado (para alguns – que pouco a valorizam): a comunicação.

O primeiro, cego de nascença, não sabia escrever. O segundo, surdo após um estouro de uma bomba, só se comunicava pelos outros sentidos, ou seja, não sabia ler. Criou-se, na segunda-feira, a dicotomia entre dois saberes: a leitura e a escrita.

Amostra homeopática (Lista de Reprodução) – Reposição Federal

Nós curtimos e compartilhamos tanta coisa que nos faz mal. Vamos tentar fazer o bem, através de um som que surgiu deste espaço… então vem?

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Sociedade do egoísmo – Thiago Amério

Hoje não tem poesia. Tem prosa. Tem crônica. Tem reflexão. Formamos a sociedade do egoísmo e do materialismo, por mais contraditório com [soci]alismo exista entre essas duas vertentes. Sociedade presume bom senso, cooperação e principalmente, pensar antes de agir para que não atinjamos, por tabela, quem nos ama e nos quer bem. Agindo sem tal precaução é virar dono do seu nariz (irracional) à custa de “tratorar” o outro. Agir por impulso é ser animal, é ser joguete (do mal), é fazer tudo que pode fazer sem se preocupar com o outrem (e sua reação frente a sua “liberdade”). Liberdade é, também, preocupar-se com o outro. Ou ser livre é fazer tudo a qualquer hora (pouco se importando pro próximo). Será que somos independentes? Mega-autossuficientes? Será que convivemos por acaso? Existe uma grande diferença entre ser sincero e ser delicado. Quem fala tudo que pensa (ao contrário do que pensa) não tem autocrítica para filtrar aquilo que pode magoar ou em nada somar. Ou pior, transformando o centro do mundo em nosso umbigo esquecemos daqueles que nos servem. Ou será que plantamos e colhemos nossa comida? Será que tudo que nos chega vem de nós? A natureza, o sol, as estrelas, o céu, tudo nos foi entregue de bom grado e, aposto, que nunca fomos lá buscá-los e, muitos, sequer tem o cuidado de preservá-los ou contemplá-los. O sol nasce todos os dias e se põe sem pedir nada em troca. Ele nunca encontra a lua, e mesmo assim ilumina ela, para que no final, possamos não ficar tão “a sós” no escuro. Ora, a natureza, a família, os amigos, o amor sincero, são presentes dados e não criados de nossa personalidade, nua, crua, fria e invejosa. Existe uma cadeia infinita antes de nós que, gratuitamente, nos dão amparo para viver feliz, sem fome, com calor e em sustentação. Devemos ser coerentes e abrir a gratidão de modo que possamos não cortar essa corrente, mas pelo contrário, compor uma sociedade que elimine o egoísmo e aflore o altruísmo, entregando mais coisas a essa cadeia (boa e bela). Mas o que podemos doar? Que tal nossa boa vontade? Nossa intenção sincera de ser uma sociedade, uma legião de pessoas que se complementam, se respeitam e se alegram compartilhadamente? Falta fazer algo? Agir, começando em si próprio e, depois, irradiando aos seus.

Se eu morrer antes de você – Tio Chico ou Vinícius?

Meu amor, o que você faria, se só lhe restasse esse dia?

Meu amor, o que você faria, se só lhe restasse esse dia?

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: – Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.  Se não quiser chorar, não chore;  
Se não conseguir chorar, não se preocupe; Se tiver vontade de rir, ria;
 
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão; Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me;
 
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam;
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo…
 
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
-“Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!”
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
 
Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai MORRER um dia, e que morra como quem soube VIVER direito.
AMIZADE SÓ FAZ SENTIDO SE TRAZ O CÉU PARA MAIS PERTO DA GENTE, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
 
Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu.
Ser seu amigo, já é um pedaço dele…

Máscara da prioridade – Thiago Amério

Se ser ‘direito’ é ser hipócrita.
Se as pessoas…  propositalmente,
vestem pele de cordeiro
mas no coração são lobos.
Se todos vestem máscaras
no teatro social,
comigo não vai ser diferente
minha ‘amiga’ (a máscara)
desfocou pela quantidade e
prioridade (vã) jogada no mar
pelo preço do medo e do exibicionismo.
Embora não tenha intenção de
expor amor-ilusão;
Embora tenha certeza de muitos
não terem condição (e sensibilidade)
de compreender o real sentido do ‘mostrar’;
Embora queira somente (en)cantar e sutilmente
mostrar um mundo melhor;
máscara embaçada não foca

máscara embaçada não foca

Pra não ser contraditório vou seguir como outrora
meus amigos fizeram na poesia da rede social,
desativar o que faz mal pelo excesso
e ativar o equilíbrio pra manter o sutil sucesso
em controle lúcido (e melhor compreendido)
com emoção pro progresso.

Hora absurda – Fernando Pessoa

Pra quem vive o silêncio

O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas…
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso…
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraiso…

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte…
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto…
Minha ideia de ti é um cadáver que o mar traz à praia…, e
entanto
Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte…

Abre todas as portas e que o vento varra a ideia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões…
Minha alma é uma caverna enchida pela maré cheia,
E a minha ideia de te sonhar uma caravana de histriões…

Chove ouro baço, mas não no lá-fora…É em mim…Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e toda ela escombros dela…
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora…
No meu céu interior nunca houve uma única estrela…