Mc Anitta é lembrada pelo Xotenosso.
Cheguei atrasado ao salão redondo, cruzei as cortinas e olhei em volta. As cadeiras estavam quase todas tomadas, mas a maioria ainda estava de pé. Conversavam, alguns aos berros. Gesticulavam efusivamente e apontavam os dedos uns aos outros. Dois moleques ao meu lado travavam frenética discussão a respeito da cor da parede. O primeiro dizia que era verde-azulada, enquanto o segundo afirmava que era azul-esverdeada. Um terceiro surgiu gritando que na verdade era marrom e cinza. Não cheguei a ver de onde partiu o primeiro soco, mas aconteceu bem no meio do salão. Em poucos segundos havia braços e pernas voando em todas as direções. Cadeiras também eram atiradas a esmo e juro que vi uma garrafa de uísque se quebrando na nuca de alguém. Achei graça, não podia ser real. Olhei pro lado e disse à baixinha de camisa xadrez que usava o cabelo preso num coque: “Ei, me belisque”. Em vez disso ela deu com a mão na minha cara; a outra foi bem nas minhas costelas – e pode ser que uma tenha se partido, porque ouvi aquele barulho que se faz quando se pisa em lenha seca. Todo o meu ar, de repente, sumiu dos pulmões, e acabei apoiando meu peso num sujeito mais próximo. Devo tê-lo desagradado, porque fui atingido em cheio por um caderno no meio do nariz. Cambaleei meia volta para o lado, a tempo de ver um garoto magrelo ser arremessado por cima das cadeiras; provavelmente mereceu, pois havia comprado um violão no mercado livre, rabiscado um samba num guardanapo e decidido que era Noel Rosa. Agora, depois de ter apanhado com um cano de ferro um pouco abaixo do queixo, realmente ficara algo parecido com o ídolo.
Acordei num lugar que achei ser um hospital, a julgar pelas pessoas de branco em volta. Andavam rápido para cá e para lá enquanto usavam toucas e máscaras brancas. Falaram algo sobre uma costela ter perfurado um pulmão. A palavra hemorragia também foi citada em algum momento. Não liguei para nada disso. Sentia sono. Dormi novamente.
Agora eu estava em pé num gramado. Um grupo de pessoas vestidas de preto estava logo à minha frente. A maioria chorava bastante. Alguns se abraçavam. Cheguei mais perto e vi que circulavam um buraco retangular cavado no chão. Por ali havia um cavalete que ostentava uma imagem grande. Era a foto de alguém. Apertei os olhos e… Aquela foto era minha! Mas que diabos era aquilo? Era o meu velório, só pude concluir. E ali estava eu. Um fantasma, quem diria! E tudo por conta de uma bagunça que eu nem mesmo causei. Peguei-me pensando sobre o motivo daquilo tudo. Logo passei, é claro, a questionar a justiça e o sentido da vida. Mas nada disso durou, pois apenas um pensamento me tomava a mente: não conseguia parar de pensar na cor daquela parede.
Fim.
Eu nunca sei o que dizer. Eu estou ali. Ela está na minha frente, com a cabeça baixa debruçada sobre um livro. Uma mecha dos cabelos lisos cai preguiçosamente sobre a orelha. Ela mordisca, distraída, a extremidade achatada de um lápis. Ela nunca usa o lápis pra rabiscar o livro. Diz que não quer machucar as páginas. Quero dizer algo, mas ela não me dá atenção, por isso fico quieto. Pergunto-me se diria o que ando pensando caso ela me olhasse atentamente. Decido que não; com certeza não. Permaneço em silêncio, fingindo concentrar-me na minha própria leitura. O clima frio é uma bela desculpa pra que eu me levante. Vou à cozinha e tomo um gole de café. Vou ao quarto e jogo um casaco velho por cima dos ombros. Verifico e apago alguns e-mails. Ela continua ali, com o lápis na boca, o livro aberto e os óculos meio baixos sobre o nariz. As pernas estão esticadas sobre um colchão jogado no chão, uma cruzada sobre a outra, como dedos que fingem guardar um segredo. O meu próprio segredo continua bem fechado atrás dos dentes. Quero dizê-lo, mas ela não me dá atenção. Mas a verdade é que o que me falta não vem dela, mas de mim. Falta-me bravura. Ou talvez sobre bom senso. Essa é a eterna estrada bifurcada. O caminho do bom senso é geralmente mais seguro, confortável. Talvez apeteça mais aos covardes, alguém diria, não sem certa razão. No fim, hoje é um dia típico, seguindo conforme a cartilha de uma rotina inabalável; outro dia de silêncio. Ainda digo, ou melhor, tento dizer algo. As palavras saem claudicantes e morrem pouco depois de cruzar os lábios. Ela pergunta “O que é?”. Suspiro e respondo: “Nada. Só que hoje faz muito frio”. Encerro a conversa com um sorriso ligeiro e um tímido baixar de olhos. Mais um dia frio. Como tantos outros antes desse. Nada mudou.
Às vezes me pego pensando e quase sempre chego na mesma conclusão, acho que todos nós temos uma tendência ao masoquismo. Queremos bem a quem não nos deseja nada, corremos atrás de quem não daria um passo por nós e choramos por quem não deixa de dar um sorriso de canto de boca pra gente.
Com o tempo, não devemos mudar nosso comportamento! Embora mudança seja a lei da vida, assim como na selva apenas os mais fortes sobrevivem, no mundo real só quem consegue se adaptar consegue realmente ser feliz. Sem perder a essência.
Temos que entender que aquela pessoa que caga pra nós, não necessariamente é o amor da nossa vida. Que quem muda de ideia da noite pro dia, sob o pretexto de “mudança” ou qualquer outro motivo vazio, também pode não saber se ama ou não. Enfim, a quem está com esse tipo de pessoa só cabe a ACEITAÇÃO ou o MASOQUISMO.
Mas, o melhor entre TUDO isso é que temos um poder que nunca poderá ser tirado:
– o PODER DE ESCOLHA!
Portanto, faça suas escolhas com sabedoria, não coloque sua felicidade na mão de um outrem, aprenda a se fazer companhia, a sempre ser o seu melhor amigo e o mais importante:
– goste de você em primeiro lugar, ai sim estará pronto pra fazer uma outra pessoa feliz e consequentemente completar a sua felicidade!
‘’E lembre-se sempre, Deus nos deu o direito de eternizar em nós o que vale a pena guardar para sempre, e esquecer completamente o que não valeu a pena.’’ Autor desconhecido.
Natiruts numa versão da Reposição Federal – N. Pontes
Em teu calor contagiante
Pé na areia, água-viva
Esse mar é energia Coração fica gigante
Paisagem estonteante
Cheiro de flor, alegria
Mil sorrisos, pura vida Pensamentos tão distantes
Lindos olhos de brilhante
Colorida luz do dia
Seja como for, seja aonde for É tanta paz que dá vontade de cantar
É tanto amor que dá vontade de voar
É isso tudo que devemos preservar
Por favor faça agora, não é tempo de esperar… Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Está frio. Faz tempo que as coisas não andam tão quentes. E o clima não tem haver com a falsidade. Mentira sempre existiu. Muitos pensam que enganam, mas, nada pode ir contra a consciência de querer fazer o certo, o ético, o caminho mais difícil e por vezes, mais suscetível aos oportunistas, vingativos e ciumentos.
Nem toda casa promove o encontro da placa figurativa permeada de mentiras. Nem todo advogado defende a imoralidade. Nem todo caçador conta história. Nem todo pescador pesca peixes imaginários e irreais. Nem todo político é corrupto. Nem mesmo num momento em que todos colocam a farinha no mesmo saco. Coisa de momento dá e passa. Cultura fica.
Aliás, a maioria não é mentirosa. A maioria é suada e verdadeira. Mas o mal se une… porque é mais fácil e tentador para dominar os com boas intenções e ações. Mas o mal quer seguidores e fazem tudo pra isso.
O bem é quieto, até demais. O bem se esconde e, por pouco, se segrega. O bem é covarde.
Mas qual o motivo de existir o mal? Para testar nossa boa vontade e nossa fé (de que vai dar certo). Seria muito fácil não “nadar contra a corrente”… qual dificuldade teríamos? Como valorizaríamos nossa vitória? Agora, de boa intenção o inferno está cheio. Adianta só ter vontade? Adiantar o que e para quem?
Os frutos falam pela árvore.
– “Eu estou cansado dessa eterna falta do que falar” como diria Cazuza e complemento, de só falar e em nada fazer para ajudar, exceto, quando, sem conhecer (e muito menos ajudar), criticamos o outro.
E é assim que tudo começa. Um “bom dia” ou “boa tarde” no corredor em um dia comum. Um olhar furtivo, encontrado, descuidado, em uma mesa repleta de pares de olhos perdidos. Um fugaz sorriso e um roçar de dedos que lhe tomam brevemente o comando sobre as pernas. A brisa doce que vem do movimento dos cabelos que passam por você vagarosamente. E de repente você tem lembranças em uma manhã nublada, que te faz acordado ainda com o gosto dos lábios que passaram a lhe sorrir de outra forma, reluzentes; lembranças de um aroma que dormiu na ponta dos dedos, na gola da camisa e nas mangas do casaco, um perfume conhecido que agora assoma em outros contornos na sua mente, que lutou tanto pra encontrar a paz. E agora tudo começa outra vez. Você acorda entregue àquela derrota, superada em outras guerras à custa de muito sangue. Uma tragédia, sem dúvida uma tragédia. E do pior tipo. Pois o pior tipo de tragédia é aquela que te faz sorrir.
MEU AMOR… ESSA É A ÚLTIMA ORAÇÃO. QUE DEUS PROTEJA A CIDADE DO PETRÓLEO. TUDO PELA PAZ E PELO AMOR. EM PAZ, PACIFICAMENTE. O BEM NÃO PERMITIRÁ A INFILTRAÇÃO DO MAL, nem a sútil nem a escancarada.




