Poema Vermelho – Carla Guedes
[Pra brincar um pouquinho de palavrear, e aproveitando a inspiração do Amigo Renato T. de Miguel, dou largada à trilogia das cores. Vermelho é a primeira delas, tematizada pelo dia de maior calor do ano, aqui no Rio de Janeiro, e acolá…]
Uma nuvem morna
Me lambe os sentidos.
Um calor rubro encobre a cidade
E na calçada um mendigo
queima os pés desnudos:
Nesse passo quente
dança a valsa do fim de tarde,
Lenta, escarlate e lânguida.
Vermelhidão que abraça o dia
E cansa os cidadãos apressados
Que voltam pra suas casas quentes;
E sobem em seus ônibus quentes;
E o homem de terno, redondo,
que recurva sobre o dia quente.
Tudo é tão denso.
É o suor que pinga,
é a música alta,
é o congestionamento;
E a maquiagem que escorre líquida,
na pálpebra dourada da moça,
sob o sol crepitante.
É esse termômetro interno,
descompensado,
E os bares repletos
de bebedores ávidos
Pela recompensa da sede.
[No dia carmim, a única vontade que tenho
é mergulhar no azul calmo e macio
de uma irrelevância poética glacial.]
Show! Reage, moçada! vamos escrever!! rsrsrs
Só lendo esse poema pra eu suar num dia frio hehehe