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O sentido do amor – Renato T. de Miguel

by em 16/05/2012

Acordei às quatro, tomei café, brinquei com os cachorros e decidi não sorrir. Calcei os sapatos, corri vinte quadras e suei, mas não chorei. Nadei numa rua de asfalto e pedra, enquanto descia a ladeira, porque era tarde, e as tardes são mais curtas que as noites nestes dias frios. Mas nas longas manhãs eu iria sorrir e, talvez até por isso, hoje não sonhei. Em vez disso, vaguei descalço sobre o gelo e sob a chuva enquanto os lençois vermelhos flamulavam sem vento e sem som e, nas paredes, as letras eram pequenas e saltitavam de alegria ao vê-la passar enquanto o mundo parava ao seu redor; na fronte havia uma pequena pedra azulada que subia e descia ao sabor dos finos vincos que lhe adornavam a testa. Será que era em vão? Porque a fina película de vidro prateado que os unia e, às vezes, os separava, poderia ser quebrada em um sopro antipático a qualquer hora do dia ou da noite. E na areia não ficaria a marca do que quer tivessem vivido, porque o mar não se importa com os anjos, ainda que mereçam viver. Ainda que mereçam sorrir.

De repente um dia faz sentido.

3 Comentários
  1. Avatar de Renato T. de Miguel
    Renato T. de Miguel permalink

    e aí, fez sentido? rsrs

  2. Avatar de alicerangel

    Renato, parecem dois textos em um só! Exatamente o amor…

  3. Avatar de Renato T. de Miguel
    Renato T. de Miguel permalink

    Valeu, Alice! Essa é a ideia! Confusão e ausência de sentido… justamente como o sentimento do título 🙂

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