para fingir aquilo que poucos, fabricados, julgam sentir.
E, até por ela o amor foi percebido. Foi verdade?
(Não começarei com o maior clichê:
daquelas palavras que somadas
começam com “a” e terminam com “ê”.
As intituladas para as amadas…)
Se foi por culpa do acaso,
o início do meu maior caso,
nunca terei uma resposta…
Até por não haver algum sentido
de saber o porquê de ter vivido
o início sem qualquer proposta.
E razão não há nisto saber,
pois o elo que une nos une:
– Não precisa de explicação…
– Não tem cor, motivo ou solução…
– Não tem a força, imune, de só uma paixão…
– Não há na vida quem não queira não…
Pois esta não conclusão,
nada irá proporcionar,
haja vista até eventual adivinhação,
de que nosso jeito de amar…
Adviria de uma canção!
Porém isto não me importa…
E se alguém vem me bater à porta,
fazendo estes questionamentos,
já vou dizendo desde já:
– Pare! Isto é coisas de sentimentos!
Não tem motivo ou fundamentos…
Ou, por outro lado, quiçá…
Vem de algo transcendental…
Algo para além do natural…
Algo que não dá pra ser normal…
Algo animal, talvez irracional…
Fato é que não há outro igual!
Será que, porventura, talvez
fomos os escolhidos dessa vez?
Os determinados de outro plano,
E talvez nisso nem haja engano…
Tipo, veio alguém correndo e bateu um sino…
E, pronto, tudo soou destino!
Se é ou não verdade,
sonho, doideira ou realidade,
não existe maneira de saber…
O segredo ou o jeito é apenas,
viver!
E nesta letra me vem fácil,
uma frase do falecido, mas revivido,
Charles Brown,
(a que para mim tem ar de genial):
“Vamos viver nossos sonhos,
temos tão pouco tempo”.
Pois a única coisa que me limita
em feliz ou não viver,
seria o tempo…
Porque o meu sonho é o seu amor…
E o seu? Juro também saber.
Quando velha, as coisas que ela incorporou ao seu corpo, através do dinheiro, não morreram com ela. Ficaram como estão, não entraram em decomposição. Mas mesmo assim, um pouco artificial, alguns amam-a. E agora? Esperaremos uma declaração de amor de verdade? Está saindo, em alguns minutos, inciado pelo maior e melhor clichê. Como uma mentira, no dia da mentira, a mulher de mentira
crescida, parece ser mentira. Mentira__Bebê
Mentira__Criança
Mentira__Adolescente
Mentira__Mulher (- Me tira daqui. Grita, no formol, da morte.) Nas fases dela,
somente a 1ª
é a fabricada. O restante todo
é fruto do pós –
que é tudo aquilo
que o dinheiro
compra nos centros
cirúrgicos ou estéticos. Quando criança já se penteia, roubando da amiguinha o creme,
para os pais ficarem deslumbrados
com o concurso de miss que com cílios postiços a faz meretriz. E já quando criança (já) diz: – Do meu eu no espelho tudo foi pós-moldado. Contudo, o tempo passa… a menina torna-se adolescente e com a visita ao ortodontista coloca o famoso aparelho de dente. Com sorriso forçado e padrão ri das outras meninas que, por serem pobres não tem condição (permanecendo com dentes trepados), e começa a gozação, antigo bullying do dicionário. Ela cresce aprendendo ostentar na beleza forjada e adquirida com o dinheiro paterno que ela não dá valor, com o dinheiro materno que lhe compra o amor. Quando as espinhas aparecem, corre ao esteticista mais famoso que lhe oferece um remédio milagroso, perigoso e caro que transforma a pele de pipoca em pele mais sedosa que quando nela encostamos sentimos de pronto, a única inveja que Caetano nos conta: a que com o toque remonta a longevidade dos orgasmos múltiplos. Um pouco mais nova, já com unhas pintadas, expressa a vaidade e o status de mercadoria com a escova mágica que transforma o cabelo antes encaracolado, pesado, cheio e duro num cabelo liso, leve, sedoso, e claro, ex-escuro. Assim, permanece a vida até na hora das tatuagens, dos piercings e, principalmente, quando de baixa autoestima, invejando a prima, pede de aniversário o silicone, pra fartar os seios, mostrando (às “amigas” e alguns ogros), algo de plástico, grande e aparentemente bonito às custas de seu próprio prazer, paulatinamente, tolhido. E assim, pós-fabricada, ela segue sua vida… e no dia 1º de Abril, trago lembranças dela, que num molde padrão acende aquela vela de etiqueta e modismo onde, atualmente, ser bela é ser fruta. E, comestível e feia, só as pobres vistas como putas.
Dia primeiro ela vem lá
Vamos lá, senhor, vamos chegar
Abra seus olhos que ela vai passar
Há uma “verdade” pra te revelar
O que ela sente ela não vai mostrar
E é nesse timbre que eu vou te avisar
Que nesse dia ela lembrou de amor
O sentimento que tocou você
O romance puro que não mais se vê
A mentira doce que te fez viver
Em abril, deixa passar…
Primeiramente, ele não quer falar, mas a gente tenta…
Em tempo de guerra constitucional sobre os royalties o pescador nos diz o que ele pesca como cidadão macaense. Nada. É, na lama, nada está tão ruim que não possa piorar.
E o Cidadão não parou de falar, até na lama “ele” vem se “expressar”.
De rolé na praia observo como as coisas mudam como o perto vira longe no instante que Copacabana e o Chico se ressignificam No Rio, de Janeiro a Janeiro muita coisa acontece Matheus Von Kruger aparece e o que era inteiro desaparece Só que em rede social surgem f(o)atos que já bloqueamos e assim reativa-se nojos que, traumáticos, adormeciam Pena que os tatuados de falácia só ficarão em harmonia quando pensarem, agirem e falarem em um único coro muito além de site, imagem ou poesia mas nas futuras ações de sua alforria.
O que precisamos fazer para fazer valer a visão? Será que o que se sente não é o bastante não? Aliás como ver o que sente? Impossível olhar ao interior… e numa sociedade que só mente bem difícil se entregar ao amor. Principalmente quando ele é incerto… porque há riscos em romper aquele véu que cobre o desconhecido e você pode se expor e até ficar desiludido. Mas como outrora já me expressei: – o que vale é a singela tentativa! – o que vale nessa vida é amar… e em tempo: – enquanto houver vida tentarei não me importar caso inexistam as grandes despedidas.
Na rede social queremos mais, mostrar aquilo que fazemos do que propriamente fazer deixando por isso, de viver, na realidade, aquele prazer… Isto é completamente compreensível numa cultura rasa de BBB, que olha o resultado o superficial, o outro, o alienado, o narcisismo de “aparecer”… O mostrar pro outro nada mais é do que se garantir por uma aparência fútil para competir, só, com seu ego inútil… Comparar as posses com o amiguinho é mais eficiente do que dialogar ou se garantir… com gestos, atitudes, pensamentos e ações porque ostentar expressa que você é o que tem, (ou o que os outros pensam que tem) quando na verdade, a sua essência não se vende por imagem é “produzida” pelo que você faz, conduz, reluz e propaga… Alguns amigos já desativaram o facebook… ao perceberem esta lógica louca da vida de darmos mais valor à foto da noite do que as palavras ou momentos da “night” tida. Mas acredito que isto pode mudar, usando o facebook de uma forma diferente mesmo que embora pra muita gente a maquiagem do homem seja o dinheiro ou que a vida se resuma a um instagram no banheiro.
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
E aí começa a chuva e você fecha as janelas, só pra notar que está trancado em um cubo feito de madeira e concreto – só você, os mosquitos e o tédio infernal que costuma te visitar aos domingos, sejam eles chuvosos ou não. Então você procura um livro na estante; não entre aqueles ainda não lidos, porque você não quer desvendar o inexplorado; está em busca de velhos sentimentos conhecidos. Esquadrinha a prateleira e escolhe um, do tipo melancólico e falsamente otimista, então espana um pouco de poeira da lombada e da capa e se acomoda sobre a poltrona meio fria, geralmente esquecida no canto do quarto durante os dias quentes, quando as companhias vivas sempre parecem mais interessantes que o mundo das letras. A leitura é agradável e te afasta dos pensamentos ligeiramente sombrios que chegam com o marasmo de domingo, e você promete a si mesmo que passará a dar mais atenção àqueles amigos silenciosos que te esperam em repouso na estante, sem nada cobrar. Quando a noite cai, o sono vem mais fácil. Os pensamentos foram ordenados e amainados pela força das palavras e pelo cheiro de papel e tinta meio envelhecida. E talvez até um belo sonho brote aqui e ali, enquanto o mundo também descansa lá fora. Toda noite de sonhos, no entanto, acaba fulminada por um abrir de olhos repleto de realidade, e quando você se levanta, resignado a retomar a vida numa segunda-feira ingrata – que insiste em voltar toda semana – passa ereto, porém levemente envergonhado, em frente aos livros que continuam repousando, pacientemente, à espera de olhos e promessas que só se concretizam num dia de tédio. Se pudessem pensar por si próprios, diriam: “Ingratidão”.
Fim.
– Pausa pra conversa. – Pausa para a reclamação. – Pausa para segunda.
– Pausa para sexta. – Pausa pro final de semana prolongado. – Pausa pro egoísmo. – Pausa para a playboyzada. – Pausa pro carro importado. – Pausa pra fingir que o assistido não é gente. – Pausa pra nem olhar no olho dos que atendem. – Pausa pra saia curta da estagiária. – Pausa pra vaidade.
– Pausa pra justiça. Claro que ser humano pode tomar café e conversar… Agora, até quando uma velha doente pode esperar?
Ontem já passou a história e respirando naquela nostalgia que outrora conduziu, in memoriam, diversos sons, feitios e magias sob músicas de Cazuza, Chico e Legião os momentos que nunca voltarão, indago a existência do tempo e do calor… Porque a chama apagada é o passado, que só se reacende na cabeça da gente, e só perdura enquanto está quente. Já que o que é é o mais importante, porquanto faz do presente momento a maior dádiva no andar do caminhante, posto que é nesta hora que tudo se decide ou vai-se para direita ou no extremo se distancia daquilo que poderia ser o melhor do que havia de ser… mas não é ou não foi. E agora? O que será será. Não dá pra se prever… apenas agradeça a chance de estar vivo respirando e estando por completo já que um dia daqui partiremos, e não traremos o que foi, será ou é, apenas viajaremos na bagagem do incerto.
O Deus que é meu não é o seu.
Aquele orgulho é mais forte que nós dois.
Se alguém errou, desconversou.
E se a saudade é que encontra a verdade?
E se a vontade é que destrói nossos segredos?
E se sorrir é demonstrar um certo medo?
A mentira mais sincera é quando se diz “estou bem”.
A vida gosta de quem gosta dela.
Em cada caso, o tempo vai dizer.
Final feliz é coisa de novela.
Saber amar é saber não sofrer…
Não tem mistério não: o amor moderno é vão.
O cavalheiro magro e com curta barba branca riu e me disse que isso fazia parte do estudo, que sempre haveria algo a saber de memória, e continuou:
– Sua primeira e emburrada frase, por exemplo, me fez lembrar de algo. Sabe a origem da expressão de cor?
– Não, mas tenho a impressão que isso vai terminar já-já – e me sentei no banco de couro onde eu aprendia tanto com o velho.
– Pois vem do Latim cor, “coração”. Em épocas antigas, ele era considerado, entre outras coisas, a sede do conhecimento no corpo humano.
– Que burros, Vô! Eles não tinham descoberto o cérebro ainda?
– Há muito tempo, desde que pela primeira vez ocorreu a um homem das cavernas abrir o crânio de outro para ver o que tinha dentro. Mas não sabiam para que servia aquele material cinzento e desestruturado, além de dar dor de cabeça.
Essa noção era tão forte que ficou também no Inglês, onde to know by heart, literalmente “saber pelo coração”, equivale ao nosso “de cor”.
– Daí o verbo “decorar” também, Vô?
– Sim. Eu sempre disse que você é mais inteligente do que parece. Mas achei graça em perceber que, naquela sua frase, apareceu outra palavra com a mesma origem: coragem.
Ela vem de coraticum, derivado de cor, também pela noção de que o órgão era a sede desta qualidade menos comum do que se pensa.
– Agora me lembro de ter visto um filme com aquele Ricardo Coração de Leão.
– Isso mesmo, seu apelido vinha de sua bravura. Mas parece que, fora isso, ele não tinha muito mais que prestasse, pois era conhecido por se esquecer das promessas e tratos.
Mas do Latim cor também veio a palavra cordial, significando “referente ao coração, ao afeto”. Assim, a cordialidade é algo que deve reinar entre as pessoas numa reunião, embora nem sempre aconteça.
Agora se usa pouco em nosso idioma, mas cordial também tem outro sentido: o de “alimento ou bebida usado para estimular o coração”.
Farmacologicamente isso não tem fundo de verdade; na realidade, era apenas uma desculpa para tomar um trago de álcool fingindo que não era por prazer e sim por imposição da saúde.
– Meio sem-vergonhas, não? Dando desculpas médicas para isso…
– Sem dúvida.
– Deixe ver… E o que corda tem que ver com o assunto?
– Ah, meu neto que deseja ser esperto e não sabe quanta palavra há de rolar pelos seus olhos para ele ter alguma noção mais sólida! Essa palavra nada tem a ver, deriva do Grego khorde, “tripa de animal, corda”.
– Mas não me diga que acordar, aquilo que a gente tem que fazer todos os dias para ir ao colégio tem parentesco!
– Pois tem mesmo. Esse verbo vem de cordatus, “prudente”, que vem de cor. É muito prudente acordar a tempo para ir à aula, ouviu? Ou podem ocorrer danos irreparáveis nas orelhas do aluno teimoso.
E aprenda que o verbo acordar também tem o significado de “combinar, tratar”, provavelmente de ad-, “a, junto”, mais cor.
Outra palavra que vem de cor é, por exemplo, concordar. Forma-se de com-, “junto”, maiscor.
– Ou seja, as pessoas que concordam em algo estão com os “corações juntos” naquele assunto, é isso?
– Perfeito. E as que discordam estão com os corações dis-, isto é, “afastados, fora”.
– Bonito, Vô!
– Eu sei, por isso é que aprendi tanto sobre esse assunto das palavras. Quando a gente aprecia o que está estudando, absorver os conhecimentos fica fácil.
Aprenda de cor essa lição, rapaz. Agora crie coragem e volte a decorar o que for necessário.
Qualquer palavra
Qualquer coisa
Pudesse falar, o que não sei
Minha curiosidade é uma dádiva
Liberdade pra todos
Com sim, com não
Sem exceção
Não somos pequenos
Nós fizemos o mundo encolher
Cresceu a ambição
Podemos estar contados
Enforcados por nós mesmo
Justo porque fizemos e faremos
O impossível
Na verdade queria que as palavras marcassem vidas assim como as vans me marcaram. Aqui, não pretendo delongar sobre questões jurídicas, mas, de certa forma, sendo o transporte coletivo algo de interesse público, pelo fato de lidar diretamente com a saúde e a vida de muitos (que de forma omissa – e por vezes socada de negligência, imprudência e imperícia – são carregados de um lugar a outro), é de suma importância que seja tratado como serviço público. Assim, haveria mais rigor e certos “acidentes” seriam, no mínimo, evitáveis.
1 – A primeira van que me marcou foi a escolar. Nela, na van dos tios – Túlio e depois Vera – , comecei a minha saga como estudante, graças aos esforços hercúleos que meus pais faziam para que me transportasse seguramente e eficientemente. Sem esse elo, tão necessário e por vezes tão despercebido, não conseguiria sequer chegar à escola, e talvez, a algum tipo de contato com a letra.
2 – A segunda van que me marcou foi a que atropelou meu avô, sujeito enfático, ímpar, companheiro e escandaloso. Lembro-me, com lágrimas nos olhos, as diversas vezes em que pegava a minha mão e encostava a sua, só para mostrar que estávamos juntos. Na mesma medida, entre inúmeros palavrões, demonstrava sua preocupação com a família querendo o melhor para todos os seus. Âncora de uma geração, buscou dar aos irmãos, mesmo provocando uma atitude cômoda e por vezes ingrata em alguns, as mesmas benefícios materiais que detinha, após uma vida de trabalho. Antes da van lhe encontrar, recordo-me do dia em que me levou à matinê, me buscando, tarde da noite, mesmo muito após do seu horário do cotidiano. Sabem o quanto pequenos momentos são importantes na nossa vida? Esse foi marcante. Antes de passar, gostaria de registrar quando eu lhe aporrinhava quando ele estava tomando umas latinhas de cerveja… ora, quanta ingenuidade a minha. Mal sabia eu que, dentro de pouco tempo, também precisaria deste certo prazer que, usado na medida do razoável, é tão salutar para equilibrarmos nossa mente, corpo e coração. Afinal, é com os amigos que bebemos e, a bebida, acaba ficando em segundo plano ante às gargalhadas e às demais sensações inerentes a uma boa companhia. Infelizmente, novo (nem próximo dos 65) e lavando a calçada, denotando sua preocupação com a limpeza (já que tinha vários cachorros – e altruisticamente cuidava-os como filhos) encontrou a segunda van. E perceba que, na qualidade de viajante propagandista da Bayer não foi seu primeiro encontro com algum veículo, mas foi seu último aqui neste plano. Daí, ele se foi. Foi de carona com a van que, antes, minha avó, professora, contribuiu para que existisse já que, entre tantos alfabetizados – como o que aqui escreve -, ela fez com que o motorista, desgovernado que o atropelou na calçada, pudesse ler e assim, “tirasse” uma carteira e uma vida.
3 – A terceira van foi outra estupidez. Esta tem nome, sobrenome e anda pela cidade de Rio das Ostras – uma cidade turística que diz que mais cresceu no Brasil nos últimos anos e, por incrível que pareça, não tem sequer uma linha de ônibus urbano. É, parece história ou brincadeira, mas é verdade. Será que crescimento não tem relação com mobilidade urbana? Será que se cresce sem andar de um lado a outro? Além, é extremamente paradoxal um país que quer sediar inúmeros eventos “pra inglês ver”, que não tem sequer o básico, não ter nenhuma preocupação no transporte público. Ou será que a maquiagem é proposital? É política, é pra ganhar dinheiro à custa da gente? Enfim, o fato é que, a terceira van, vale dizer, pautada em normas de assentos preferenciais para idosos que de um lado os próprios cidadãos ignoram (inclusive esquecendo que também ficarão velhos) e de outro ninguém fiscaliza ou pune quando inexistem ou são desrespeitadas, contribuiu incisivamente para que minha avó tenha fraturado o fêmur. Agora, fraturar o fêmur de uma idosa que estava tentando sentar num lugar que, por LEI (ou seja, por uma vontade coletiva e maior), é no mínimo um grande absurdo. Pra que serve uma cooperativa? Pra que serve uma LEI? Pra que serve o IBGE indicar Rio das Ostras como uma cidade que mais cresceu no Brasil e, ao mesmo tempo, a mesma, diariamente desrespeita enormemente um direito que deveria ser dever. Afinal, velhos vamos ser se um dia até lá a gente viver.
Ps. Como restrinjo às Vans, nem tocarei nas 06 horas (diga-se, muito mais do que alguns que julgam ou acusam trabalham diariamente) que esta senhora teve que esperar para vir uma ambulância da “cidade do petróleo” para a cidade “turística que mais cresce no Brasil”. Aliás, engraçado é que no Carnaval sobra ambulância para os bêbados de plantão, agora para uma trabalhadora aposentada (e por isto, injustamente, à margem e descredibilizada) que chega aos 70 (setenta) anos para ficar mais de um mês numa cama de hospital em função da “van” a prosa é diferente. A ambulância não é van. Fiorino é van. E é de Range Rover que é fácil e, só nela, que prestamos atenção. Até quando?









