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Conto dos Mascarados – Ditado pelo Chileno

Divulgando o movimento que “parará” Macaé.

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A culpa é sempre do sistema – Raul Santos

A culpa é sempre do sistema. Mas as pessoas que compõem o SISTEMA nunca têm a culpa. Agora o SISTEMA caiu. A internet surgiu. Estamos todos ligados. O sistema foi tomado e sem a preparação instutucional; devida e necessária para a moralidade administrativa; fica mais fácil.

Porcos corruptos.

Sua hora chegou.

Pede pra sair.

Somos preparados.

Somos o Brasil.

“Somos tão jovens…”

mais forte

Seu circo acabou.

Vídeo

Reposição Federal – Jingle em blues

Viva a arte. Viva. Viva a Reposição Federal, viva.


reposicaofederal@gmail.com

Conto dos mascarados – Thiago Amério

Numa cidade muito longe daqui havia diversos professores, estudantes, trabalhadores, policiais – cidadãos -. Eles pagavam seus impostos à rainha. Ela, pra se manter no trono, controlava os mensageiros do reino. Todos os mensageiros vendiam a história de que estava tudo muito bem, apesar da população nunca ser bem atendida pela sua corte. Só aqueles que lhe davam moedas altas eram atendidos – com cuecas cheias de ouro.

os miseráveis

os miseráveis

A corte africana, européia e americana comprava essa ideia – falsa – e manipulada. Um dia eles organizaram um campeonato. Falaram que todos os reinos iriam visitar o reino daquela cidade. Todos se prepararam, desviando o máximo de recurso possível, para que não faltasse nada a ninguém. Mas todos se prepararam mesmo. E aqueles que se calaram começaram a falar o óbvio de ver e sentir. Tudo em paz e pela paz, ecoavam os gritos:

– Acabou a palhadaçada. Não queremos mais esse circo. Quem rouba pão de criança merece vazar. Governo corrupto não nos represente, ao menos tenha mérito. Dignidade.

Pacificamente, os cidadãos, gritavam por aquilo que eles merecem – o básico de um serviço público – respeito e qualidade.

A rainha e os súditos mandavam bater e espancar os gritadores. E espalhava papeis dizendo que estava tudo bem, tudo controlado, tudo comprado com seu ouro – vendido e de tolo -.

Aí acontece o esperado. Tudo acaba, a rainha sai de cena e o jogo começa.

E o reino vive feliz pra sempre. Juntos e em solidariedade. E aqueles que roubavam  descaradamemte – passam a temer e roubar (bem menos) disfarçadamente. E o reino segue até hoje, mais honesto, mais moral, mais equilibrado, mais em paz.

Era dezembro (21) e a cidade era do petróleo.

A vida passa – Raul Santos

A vida passa e nada. Nada de mudanças. Nada de amor. Nada de paz. Nada de Rock. Nada de compartilhar alegrias ou de sofrer pelo outro. Nada porque não é contigo. Nada porque você é um alienado fudido. Só pensa no hoje, pensa que o seu corpo e seu prazer é a razão de ser do mundo.
Um dia a Absolut acaba.
Um dia a fonte seca.

Um dia o leite da mamadeira politiqueira evapora.

Acham que se pode comprar o mundo inteiro?

dedo

Acham que se vendendendo o Poder se mantém?
Acham que somos nenéns?

Aliás, acham algo?

Acreditam em quem?

Vivem pelo que?

Até os fardados vão aderir sabe o porquê?
Assim como você, professor, sofrem com a roubalheira.
Se prostituem para conseguir o pão de cada dia.
Ganham pouco e arriscam suas vidas. Assim como os médicos que atendem em sistemas porcos de saúde.
Assim como os professores que tem que trabalhar em 03 turnos para fazer valer sua sobrevivência.
Assim como os bombeiros que apagam o fogo da sua bagunça por miséria.

Assim, quando precisar de um deles, lembre-se, eu fiz algo.

Por fim, viva. Viva sua liberdade sem esquecer que o circo só acaba quando a platéia entende o roteiro.

Macaé, RJ, Brasil, 2013, 21 de dezembro.

A Vigília (Parte 02) – Renato Miguel

O estreito corredor recortado por entre a rocha seguia um caminho sinuoso, e o homem, por vezes, precisava passar de lado, em razão de alguma saliência projetada nas muralhas de pedra que assomavam a um lado e a outro. Em certo momento, num ponto em que a trilha se tornava um pouco bojuda, uma árvore enegrecida e morta crescia retorcida junto à montanha. Em um dos galhos, farrapos de um tecido tremulavam fracamente ao comando do vento suave que lambia o corredor. Marcas de sangue seco rajavam a parede logo adiante. Deduziu que alguém ferido, e em fuga, tivesse passado às pressas e perdido parte da capa nos galhos da árvore, deixando manchas de sangue ao se apoiar na parede antes de prosseguir. Rasgou uma tira do tecido, tingido num verde profundo, quase cinzento, e a amarrou em volta do braço esquerdo. Seria um bom lembrete do que aquela terra inóspita tinha a oferecer. Seguiu em frente, a atenção renovada (e redobrada) e notou que agora o corredor se alargava um pouco mais. À frente, viu que outros caminhos surgiam à direita e à esquerda e eram mais estreitos que o normal. Sentiu-se tentado a se meter por um deles, que subia por entre a rocha íngreme e grosseira; talvez desse em uma queda d’água, pensou, porque de longe, quando ainda cavalgava por terras verdes, avistou pequenas cachoeiras cuspidas das rochas encravadas na longínqua paisagem cinzenta. Logo desistiu da ideia. Olhou novamente o velho mapa desenhado em pele de cordeiro e decidiu que seguiria o caminho principal. Ele não sabia a precisão das linhas tracejadas no mapa, mas julgava que mais de um terço da trilha já tinha ficado para trás. Caminhou por mais algumas horas, antes de decidir parar em um trecho mais largo do corredor. O chão arenoso concedia algum conforto. Apoiou a bolsa em uma grande pedra recortada na parede ao lado, deitou a cabeça e adormeceu quase de imediato.

Sonhou que caminhava por uma campina elevada, num nível situado muito acima do solo, um jardim suspenso no seio da montanha. Ele seguia pelo gramado macio, pontuado aqui e ali por eucaliptos que emanavam um odor agradável. A folhagem das árvores filtrava em pequenos raios a suave luz da lua que pairava sobre o lugar. Pétalas de rosas brancas e vermelhas dançavam ao sabor da brisa, enquanto algumas repousavam no chão. Avistou, ao longe, entre fileiras simétricas de eucaliptos, uma estreita ponte de pedra que parecia ligar a campina à montanha vizinha. Foi até lá e notou, maravilhado, que em cada lado da ponte havia uma grande cachoeira. Foi então que a viu, parada na outra extremidade do exíguo piso de pedra, toda graça e delicada beleza, enfiada em um vestido azul marinho que só fazia realçar a pele branca e os cabelos tingidos de prata por força do brilho da lua, cujas mechas torcidas emolduravam o belo rosto, caindo por sobre as orelhas e os ombros – uma silhueta graciosa que em nada devia, em majestade, às montanhas ao redor. Ignorou o medo infantil de altura e partiu em direção a ela, equilibrando-se sobre a ponte abaixo. Quando se aproximou, viu que um sorriso triste lhe adornava o rosto, enquanto os longos cílios pareciam unidos pela umidade de lágrimas. Chegou perto o bastante, à distância de um beijo. Tentou tocar o rosto claro, erguendo as mãos ásperas e manchadas de terra e poeira. Tentou dizer algo, a boca se abriu, incapaz de emitir som. Todo o ar dos dos pulmões havia desaparecido, porque sentiu uma forte pressão nas costelas, que logo virou uma ardência férvida e depois uma dor aguda, pungente. Levou a mão até o ponto dolorido e sentiu a umidade quente do sangue e a frieza da lâmina enterrada ali. Olhou as mãos dela, incrédulo, e notou que também estavam sujas de sangue. Agora ela chorava copiosamente, mas não pedia perdão. O mundo parecia reduzir sua marcha, enquanto as pétalas voejavam em bizarra lentidão, ao mesmo exemplo das infinitas gotas de água que vinham das cachoeiras em uma vagarosa torrente branca. Caiu de joelhos, o rosto indo de encontro ao chão de pedra fria. Acordou sobressaltado, com a face chapada na rocha ao lado. Levou uma mão às costelas e outra ao peito. Atraídos pelo suor, o cabelo aderia à testa e a camisa ao tórax. As sombras ao redor estavam mais curtas do que deveriam – dormi demais, pensou. Mordiscou um pedaço de pão bolorento, enquanto tentava afastar uma febril onda de pensamentos sombrios. Virou um gole de água do agonizante cantil e seguiu em frente. Algumas horas depois chegou ao final do corredor. As provisões mais leves, o coração mais pesado. Os sonhos seguiam piorando. Apertou o passo em direção à saída. Precisava acabar logo com aquilo. Morrer de sede e inanição era um destino aceitável, previsível, muitas vezes preferível. Perecer pela insanidade era tudo o que precisava evitar. Daria sua vida por isso.

Viva a sociedade alternativa – Raul Seixas por RF

No festival universitário… incia-se em poesia e termina-se na SOCIEDADE ALTERNATIVA.

Então vá…

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Então vai! Expresso Chamado – R.F.

Tá, acabou o jogo do Brasil…

Então vai!

A volta do grito ao surdo e da cor ao cego (Capítulo I [Parte 2]) – Thiago Amério

Ainda na rua, com a lua minguando, Efatá varria, observando o sol indo e ao mesmo tempo convidando, desinteressadamente, a lua porquanto sequer poderia tocá-la.
 
Era um grande observador. Adorava varrer histórias de boatos para cima do tapete. A crítica sempre esteve na ponta da sua mente e, sua língua, embora vetada por sua surdez era desnecessária frente a sua louvável gesticulação e comunicação visual. Não sabia ler porque (pra ele) tal ação era desnecessária, afinal, já se virava tão bem. Pra ele um texto era um conjunto de símbolos desconexos que não fazia alimentar, não passava a fome e, principalmente, não era útil tal qual sua mão trabalhadora. Sempre dramatizava e alcançava, apontando com o dedo, seus objetivos principais.
 
Em um lapso de memória, aquelas que passam como flashback e nos fazem perder a atenção por um tempo imprevisível, lembrou-se da festa junina que seu primo Zezinho ofereceu um presente achado na praia da barra. Ainda era menino quando aquilo aconteceu, estava aprendendo a falar… contudo sua memória era de elefante, tal sua mãe dizia quando lembrava das poucas histórias que ela havia contado (e ele escutado) na tenra infância. À medida que a recordação vinha, Etafá, apontando para as imagens coloridas que serviam de distração na cabeceira da sua cama, sorria. Pensou alto:
 
– Por que Zezinho me deu aquele artefato? E seu eu conseguisse a ouvir novamente?
 
Etafá só se lembrava do estouro. Mas aquilo não fazia bem. Aquela lembrança doía mais do que a dor no ouvido após acordar do coma no hospital. Aquele som fora o último que ouvira na vida. Era alto, literalmente, ensurdecedor, e provocador de desmaio.
 
bomba
 
Enquanto estava nesta reflexão, de frente pra lua e de perna cruzada, Sioloé, cego de nascença, cuja cantoria o fez empolgar uma dança, esbarra na sua vassoura. O susto se dá. Os dois se focam.
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Por que não EU? – Leoni por R.F.

“Se não tem nada pra depois… por que não EU?”

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RF mix (Wave) – Tom Jobim

O amor se deixa surpreender enquanto a noite vem nos envolver…
Reposição Federal da aarteprocurandoserreposta.com
na participação de nãna da clarineta e marciano da flauta
pros dias dos “namorados”.
 
 
 

 

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Twitter RF

 

 

Promessa (dez)cumprida – Thiago Amério

5 x 2 = 10

5 x 2 = 10

Dez mandamentos.

Um norte.
Um caminho cumprido.
Uma porta larga.
Vários pedidos.
Muitos arrependimentos.
Alguns compromissos.
Inúmeras promessas.
Mesma conduta.
Um grande sentimento:
se as pessoas descumprem
por que se comprometem?

Proibido deixar aqui – Raul Santos

terça-feira cultural, 11 de junho de 2013
 
PROIBIDO DEIXAR AQUI

PROIBIDO DEIXAR AQUI

 
Você caro amigo,
que tirou a poesia,
que veio do Brasil,
não sabe que realizaria
um desejo estudantil.
 
De reviver o proibido,
de fazer o censurado,
de marcar bem ritmado,
até o olho-gordo ser vencido.
 
Não adianta combater
o papel sempre existiu
e vai permanecer
além de você, viu?
 
Agora, não adianta retirar
nesse mundo de modismo
vou rimando ao contrário,
não deixe ela aqui,
roube-a pra sua casa,
e passe a sorrir.

A vigília (Parte 01) – Renato Miguel

As botas estavam surpreendentemente bem conservadas e ainda davam algum conforto aos pés, que lutavam para se equilibrar sobre o terreno pedregoso que serpenteava pelo caminho abaixo. Na verdade, as botas eram as únicas coisas que se mostravam razoavelmente inteiras desde que aquilo tudo começou. A capa já estava quase completamente esfarrapada, e só seguia presa aos ombros porque ainda era uma aliada útil contra os vendavais secos e gélidos que sopravam naquelas noites. O blusão de lã cinzenta era um conjunto gasto de remendos que já se tornara áspero ao toque, ao passo que a calça ostentava largos rasgões e buracos ao redor dos joelhos. Não fosse o punhal enfiado em uma bainha de couro negro ricamente trabalhado com finos arabescos de prata (que retratavam formas de sóis e estrelas e, em cima, tocando a guarda da lâmina, a forma de um rosto de mulher, com os cabelos também anelados em prata) – derradeira herança de tempos felizes – alguém que por aquelas cercanias passasse diria que aquele andarilho nada mais era que um roto mendigo que andou demais e se perdeu em terras ermas. Mas ali não havia mais ninguém e ele não era pedinte, eremita, ou nada que o valha, pois vagava por ali em causa própria e à sua legítima vontade. Tinha um objetivo claro, e ninguém que a não ser ele poderia bradar contra a nobreza da demanda.

Continuou descendo, e na mão esquerda levava um cajado, que vinha usando para firmar um caminho por entre os pedregulhos, que cediam frouxos ladeira abaixo à menor pressão dos pés. Houve um momento em que se abrigou sob uma árvore meio morta de galhos retorcidos que parecia montar guarda em frente a uma pequena e escura gruta entalhada na rocha escarpada que ladeava o vale; revirou a bolsa surrada por alguns momentos e dali retirou um naco de queijo, quase tão duro quanto as pedras que pavimentavam a descida, mordiscou-o durante breves segundos, enrolou-o de volta na tira de pano enegrecido, guardando-o na bolsa logo em seguida . Subiu o capuz, recostou-se na árvore e tentou dormir um pouco. O cansaço era enorme, mas pensamentos escuros dançavam cruelmente naquela cabeça atormentada, impedindo que a mente relaxasse e deixasse aquele mundo. A fome também não ajudava, e a sede muito menos. A água era constantemente uma preocupação, pois agora apenas metade enchia o cantil, que já começava a pender flácido da cintura. Pensou em se arrastar até a gruta, na esperança de que o sono vencesse a batalha em um lugar menos tomado pelo vento frio, mas era escura demais e não conhecia ainda muito bem aquelas terras, de modo que temia o que quer que pudesse encontrar lá. O lado de fora, a seu turno, oferecia o abrigo fornecido pela luz das estrelas e da lua. Por fim, acabou por dormir; na verdade “desmaiar” seria uma palavra mais adequada. Os sonhos passavam velozes e entrecortados e, se não eram agradáveis, ao menos não lhe feriam com a visão que se tornara recorrente nos últimos tempos. Essa visão talvez fosse a razão pela qual ele estava ali; talvez, sim, porque a missão, antes de qualquer coisa, dizia respeito a ele. A ele e a mais ninguém.

Acordou com a primeira luz difusa emanada pelo sol. O céu, como sempre, era tão cinzento quanto o chão abaixo e a espessa camada de nuvens deixava pouco a ver do astro dourado que vigiava de cima. Levantou, baixou o capuz e sacudiu a poeira que havia se agarrado à capa e às calças. Tomou um gole do cantil e continuou descendo. Notou que faltava pouco para chegar ao fim daquele vale inclinado, que terminava num corte que formava um estreito corredor entre as duas grandes rochas montanhosas que emolduravam aquele vale poeirento. Guarnecendo a entrada, mais duas pequenas árvores mortas postavam-se, uma de cada lado. Uma placa pregada em uma delas era entalhada em caracteres que ele não conhecia. Duvidava que palavras de boas vindas estivessem gravadas ali. Olhou para cima ao passar pelos galhos, notando que havia um pequeno ninho equilibrado nos ramos retorcidos. Um som vinha dali, um tímido piar, ele podia jurar. Olhou fascinado por mais alguns segundos, relutando em abandonar a rara manifestação de vida naquele ambiente estéril. Foi quando um pequeno pássaro cinzento veio planando de algum ponto a oeste, encolheu as asas e pousou no ninho. Só podia ser a mãe, porque trazia no bico a refeição dos filhotes. Deu um suspiro e seguiu em frente, ajeitando a bolsa no ombro e ajustando a fivela no cinto que prendia a adaga. Diante daquela visão encorajadora, agora seus pés moviam-se com melhor disposição, e as botas, não tão gastas assim, o impulsionavam à frente, rumo ao desconhecido.

(…)

A traiçoeira arte – Thiago Amério

Engraçado você ler algo achando que é pra você…
Quando nem sabe a inspiração…
Engraçado é saber que isto acontece até com quem escreve.
Portanto, ao interpretar só pra você, pegue leve.
Essa é a graça da arte…
Entrar sem pedir licença…
Te tocar e partir, do nada,
sabe…
Talvez nem seja pra nós:
– faz parte.