Na vida, a gente tem que ver as coisas, sentir os sentimentos, descobrir, procurar. A gente tem que aprender. E só quando vemos, sentimos, descobrimos e procuramos… aprendemos. E daí virá nossa inspiração. Se a gente não vê o que acontece ao nosso redor, se somos indiferentes aos sentimentos alheios (ou pior ainda: aos nossos próprios sentimentos), se a gente não se motiva a descobrir, a procurar as respostas ou o que for, não aprendemos. E assim, como alguma coisa poderia mudar no próprio mundo? Sem isso, nós não temos em que nos basear, porque não temos conhecimento. Mas a partir do momento em que a gente abre os olhos para o mundo; que a gente ama, sente raiva; que a gente procura e descobre as respostas para nossas tantas perguntas, aprendemos um pouco mais do que é a vida. E então nos inspiramos: nos inspiramos a mudá-la. Porque se depender do modo em que as coisas se encontram, será difícil caminhar… Quando a indiferença toma lugar em uma pessoa, ela deixa de existir. Afinal, quem não enxerga (o que acontece à sua volta), quem não ouve (o que o mundo grita), quem não sente, quem não age, se não está em estado vegetativo… está morto.
Diz ele ser uma de suas composições mais bonitas. E… tem-se que concordar:
Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação
– Oswaldo Montenegro
Hoje é dia de mulher
Antes de celebrar,cabe alertar aos desavisados:
o título não é pros tarados!
A ideia é generalizar. Pois…
Por elas a gente nasce.
Por elas muitos morrem.
Alguns apenas sofrem.
Espreitam face a face
na tentativa de saudá-las.
Já que a nossa missão,
de tão somente encantá-las,
numa eterna afeição,
não tem fim… Pois…
Elas que movem o mundo.
O tudo e o todo é em sua função,
advindo do raso ou do fundo,
sempre segue sua direção.
Não adianta vir de enrolação,
a humanidade gira em torno delas…
não refiro-me só às donzelas,
ou a papos do coração,
mas, sim, ao gênero mulher…. Pois…
Ela: a mulher,
nos leva até onde bem quer,
mal sabendo a intensidade de sua força,
bem querendo que no fundo a ouça,
sem ter que lavar mais louça,
apenas querendo ser a eterna moça. Enfim…
reconhecendo nosso tamanho,
venho informar meu maior ganho:
tê-las no mundo é sentir por perto,
o doce caminho do destino certo,
resta apenas: admirá-las,
e mais uma vez,
contemplá-las.
Meninos correndo, bola na parede, quebrada de vidro, estaladas no chão.
– Foi você! A culpa é sua. – um acusa o outro. Reciprocamente consentem que o melhor caminho é esse. Dessa forma inexistem culpados. Ambos são despenalizados por suas consciências. Ora, a culpa alheia é.
Foi a partir daí que o professor começou a aula. O vídeo era repetido em todo início letivo. Já se sabia a história e aquele consequente sermão. Praxe. Lá ele iria recomeçar a tentar educar falando. Mas, para surpresa dos mais antigos, dessa vez não falou nada, apenas apontou para frente com movimento circulares. A roda se formou.
Olhei para o lado e ele, mimicamente, me ordenou silêncio. O g
rupo estava grande, afinal, no primeiro dia, quando tudo se espera, todos vêm. Tal situação me fez rir. Ver todos eles, essencialmente cômicos, obrigatoriamente sérios, era como um palhaço ser juiz. Não fazia parte do jeito deles. Realmente era um anacronismo engraçado. Ri alto.
Fui olhado com desprezo. Permaneciam concentrados no silêncio e eu, dissonante pela gargalhada. Ele mandou fazerem mais força para aguentarem a minha pressão. Achei ridículo. Como acalmar a agonia do riso? Ri mais alto.
Consegui desconcentrar uma. Ela usava óculos e um piercing no canto da boca. Boca cuja vontade de explodir não foi capaz de conter. Tão logo ela sorriu (desconcentrando-se), abriu o verbo e disse:
– Dele é a culpa (mirando-me com os olhos). Sou incapaz de me concentrar assim. Ri por ele.
Fiquei extremamente apreensivo. Bem verdade… não me consegui controlar, simplesmente, aconteceu. Porém, rapidamente, ele, o dono daquela sala de aula, até então mudo pelas atitudes alheias, gritou (em tom evangelizador):
– Embora muitos digam que o errar é humano (alguns, ainda, afirmam: colocar culpa nos outros é estratégia), nós, humanos corajosos, capazes do nobre silêncio ao invés da arte de sorrir, não cometemos esse engano. Pois, sabemos que, mesmo sendo o caminho mais fácil, a alheia culpa é, e sempre será, também, nossa.
Ela tinha um ano e os cabelos cacheados bem fininhos. Ela tinha dois anos e a pele negra bem brilhante. Ela tinha três anos e o corpinho bem magrinho. Ela tinha quatro anos e o sorriso bem difícil. Ela tinha cinco anos e a esperança bem grande. Ela tinha seis anos e ainda estava bem. Ela tinha sete anos e ainda estava lá. E antes dos oito anos sua nova mãe veio buscá-la.
Alice Rangel Ney
Acordo.
Futuro Incerto.
Da janela do quarto vejo o certo.
Ou tal qual penso em minha idade:
o que faz-se bom por minha ingenuidade.
Reflito.
Penso no dever moral da sociedade.
Finjo estar em total saciedade.
Não quero prorrogar a mocidade.
Levanto.
Ainda é cedo para o pranto.
Busco a liberdade pura,
a dita sem filura, na cara dura,
sem ser a do sexo ou a que cura.
Ando.
Guardado sem medo de solidão,
tomo a inciativa ou não?
E o dever de ir além do que há perto?
Sem curar a dor da amada.
Sem buscar enxergar uma alvorada.
A pura ideologia de sair sem se gastar.
Do chover sem se molhar.
Corro.
E a sensação de uma conquista?
É melhor a vida pela aparência?
Sem resquício de essência,
só pra ser mais um da lista.
Canso.
Queria essa imutável dualidade.
Queria não me abdicar da vaidade.
E ao mesmo tempo amar, de verdade.
Paro.
Posso me equilibrar.
Mas, na linha tênue sou incapaz de separar:
a serenidade, do prazer,
a vontade, do sofrer.
Continuo nela.
Junto o inseparável.
Digo ser palpável,
aquilo capaz de explodir,
num só único latir.
Durmo.
Me sonho na linha,
e aí… adivinha?
– Ela padece tênue!
Thiago Amério
– Clichê! Do grito da maioria se ouve…
Há algo errado? Perguntam: que houve?
E antes do fim, quase mesmo, por um triz,
vem um, chega, e diz: – Sem sincronia, sintonia ou sabedoria,
tudo isto me parece uma grande hipocrisia!
Será que na rotina do seu dia-a-dia,
ao invés de curtir toda a melodia,
do cotidiano em fantasia –
da felicidade, magia, alegria, ousadia –
prefere, encovardando-se, viver em vergonha? E por mais desejos que a gente tenha,
os mais ansiosos até sonham,
ficam eles maquiados na face dessa ingrata? E por mais que se grite: – desejo… venha!
(Os céticos até zoam!)
Fica ele enclausurado até que ela mata! Mas como mata?
Envergonhando para que nada se faça?
Forçando a todos a permanecerem omissos?
Não, nem é bem isso, aliás, só isso. Grande amiga da vergonha é a crítica.
Chamando de clichê,
pelo olhar de quem olha e nada vê,
sem qualquer auxílio ou mística,
aquilo que até pode ser realidade,
só pelo prazer de cutucar,
claro… enaltecendo sua vaidade,
e em nada fazer somar. Porém, repentinamente, sorrateiramente, traiçoeiramente,
A cortina do palco se fechou…
– É que o ensaio terminou!
E o espetáculo vai (re)começar: eternamente.
Já se ouvia na bossa: “(…) é impossível ser feliz sozinho”.
Quando me refiro ao verbo andar é para abstrair. Não só no sentido de caminhar ou percorrer uma distância, mas em toda e qualquer situação em que se pode estar por aí, e no contexto do título: sozinho.
Não pretendo definir o que estas duas palavras representam juntas, apenas gostaria de expressar algumas emoções ou sentimentos que, para mim, o “andar só” exprime.
1º – coragem:
É ou não é corajoso aquele que vai a algum lugar só? Imagine uma vontade imensa de ir aonde sua cabeça quiser (festa, praia, cinema) e você, que normalmente, e no máximo, só se permite almoçar sozinho (meio contrariado eu sei), não precisa freá-la quando inexiste alguém pra “te acompanhar”. – Ei amigo vamos? Não? Tudo bem… – simplesmente, vai.
2º – autoconfiança:
Quem possui coragem, via de regra, é confiante. Para ser suficiente por si mesmo, o pulo é baixo. Então, facilmente, o antes corajoso, detém a nova característica. Basta uma observação (alheia): – nossa, está vendo aquele ali, confia tanto em si que não precisa de mais ninguém. Está ali: completo por si. –
3º – misteriosidade:
Quase um James Bond por ser diferente (ao menos não é tão comum), e, aquilo que destoa, inevitavelmente, chama atenção ou atrai, o mistério torna-se inevitável. A pretendente pensa (alguma até diz): – quem será ele? – a dúvida vira charme, e em alguns, até perigo.
4º – insanidade:
Não é a regra quando o “andar só” é efêmero. Como diria R. Amarante em sua épica entrevista: “não porque nem sempre”. Andar só faz parte da vida. Agora, se o andar só vira a vida… ele vira o sempre. Neste caso, resta ser patológico: loucura.
Se somos ou não seres sociais (busco questionamento e não certeza) é cediço a nossa necessidade de “socializar”(uns com mais intensidade com menos gente, outros, ao contrário), e isso, não se faz andando só (sempre) .
Talvez possa ser um estado passageiro de falsa confiança infeliz. Enfim, Tom Jobim, já deu a deixa lá em cima. Será impossível? Ser feliz… possivelmente. Mas “o caminho do só” existe (e será o “para sempre” para os loucos?).
Thiago Amério.
Se a verdade é um encanto,
E… nunca terei a certeza,
quero é me apaixonar…
Pois, sem refletir um tanto,
Em reflexo, sem frieza…
a magia é de se encantar.
Se o encanto é de verdade,
E… nunca terei a certeza,
quero é me entregar…
Pois, vagando pela tarde,
E… sempre com firmeza,
o que vale é amar.
Vou na magia da verdade,
virtude como a bondade,
procurando, sim, felicidade.
Verdade, como diz?
Falando tudo que pressente?
Às vezes de modo eloquente?
Mas na essência: não mente?
Ah… a resposta da gente:
O encanto da verdade traz a paz…
a mentira em qualquer canto: jamais!
O valor das coisas, e neste contexto o da areia, não é, necessariamente, o do bem ou mal. Pode ser. Mas também é passível de ser uma mistura. Homogênea? A ponto de não identificar onde há prevalência desses opostos? De modo que não se consiga precisar nunca? Pelo simples fato de inexistir em nossos olhos humanos, arte capaz de promover a separação fiel. Enfim, o importante é saber: independente de qual seja o valor, ele se encontrará nas areias de um mar.
E basta ir lá, de preferência de pés descalços em dia ensolarado, para escolher a quantidade e que tipo de areia quiser. Não há limites de peso, gosto, credo, pureza ou sujeira para buscá-la. E o melhor (aos preguiçosos ou sortudos): não é preciso ir pessoalmente. Noutras palavras, quem gostar de acrescentar um balde de areia a um vizinho, amigo ou irmão, nem precisa de autorização. Basta vontade sincera (ou até “marketeira”). Pegou, levou e deu. Pronto. Quem recebeu nem precisa agradecer, só é necessário, se for possível, reter.
E é nesse momento que a personagem principal entra:
– Prazer – só diz ela. É a mão.
Pra quem não a conhece, ela é única. Pensam até ser essa masculina, pela aparência do seu nome, entretanto, ELA é feminina e bem definida (o artigo “a” não é em vão). Reza a lenda, urbana e folclórica, que sua capacidade de absorver areia é imensa. Agora, energia potencial não é mecânica, assim como capacidade não é prática. Quem consegue fechá-la? Apertá-la com a finalidade de não deixar cair os grãos? Já estava me esquecendo de informar um grande defeito (ou necessidade) da mão: ela não tem força própria, não é um ser autônomo. Ela é uma espécie de marionete.
Mas… um mar, indefinido por sua generalidade, só ingressaria na história para acompanhar a areia? Não é um papel mesquinho quando reparamos nossa imensidão azul? Afinal, só o céu, caso fosse sempre azul, teria cor maior para barrar o tamanho do mar. Sem grandes indagações, mar simbolizaria a vontade. Vontade não possui sentido completo. Preenchendo-o, seria o desejo de molhar, ou não, a areia. Alguém já reparou que a ampulheta não se molha? Mesmo com toda a força, incapaz de se doar, caso se feche a mão com a areia, existindo a água do mar, ela irá deslizar e voltar ao chão.
Mas quem controla a mão? Seriam os presenteadores de areia? Acho que VOCÊ já descobriu…
ou é só uma mera fantasia?
não sei se tenho esta criatividade…
mas não me faltará vontade!¹ Nada de fantasia tem,
mas me comunicar através das artes é o que me convém.
Pra saber se possuis, “hás” de testar,
pois nada aparece se sentado ficar a esperar.² Sentado já estou
Esperando jamais
Mas como é que faz
Pra saber se vou
ou não, ser claro
quanto minha constatação:
neste mundo é raro
ter as artes no coração!¹ Ô se raro é!
Tão raro quanto nascer mão em meu pé.
E se a inércia não é a resposta,
Vá,escreva,viva,faça uma aposta!
Com suas letras já me simpatizei,
Me conte mais dessa sua vontade,
E compartilhe sua serenidade,pois a única coisa relativa,é a verdade!² Não existe verdade absoluta,
seja da sabedoria do cientista
ou da vivência da puta!
Não é preciso ser elitista
nem mesmo populista,
Para saber:
A verdade está entre nós,
homens, a viver
na esperança de outros sóis,
outros planos, outras vidas,
que tenham em sua essência,
mais que a beleza das margaridas,
mais que a mais sincera paciência,
mais que a tão sonhada indulgência,
E quando encontrarmos esta inteligência?
Acharemos a terra tão vazia…
Quem sabe, nunca mais sentiríamos a beleza
De uma simples poesia.¹ A lei do pensamento…
Use seu corpo,o presente,
Desfrute de seu fruto,a criação
O tempo o leva a putrefação.
A poesia é Donzela de pura Maria.
Silenciosa,carrega alma fria,
Ó caprichosa mulher,
Que a espera fica de quem a quer.
Não hás de chorar,
Só porque não veêm o quão tu és bela,
Que tu és a emoção da Terra.
Saiba que,
Enxergar é para poucos.² O tempo nos leva e experimentar.
O comodismo sim a putrefação!
Humildemente deve-se expressar:
Eis um mal que assola a nação.
Não sou um ponto fora da curva
Quantas vezes não saí da inércia
Vendo a vida passar meio turva
Ao menos percebo minha inépcia
nesta ocasião…
já é uma guinada complexa
para escapar desta triste situação!
A poesia é mesmo assim,
tão bela como um conquistador afim,
tão ociosa… mas uma pedra preciosa,
quando então enxergada,
tão serena, tão amada…
encantadora de namorada!
Por muitos esquecida,
ou não observada…
Dizem que anda desaparecida…
Apagada…
Por ao menos dois foi sentida!
Então ela é ressurgida!
Voltamos ao começo…
Como uma história sem fim…
É a poesia é mesmo assim!¹ ¹- T – homem
²- L – mulher Thiago Amério.