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Mão sua – Thiago Amério

A mão sua…
a quentura se dissipa,
sai do corpo até a tripa,
e você tenta conter,
o tão difícil de esconder:
o nervosismo do querer.
 
A mão soa…
ecoa pela transpiração,
transparece de paixão,
num reflexo involuntário,
lá do fundo do armário,
ô sentimento hilário!
 
A mão sua…
longe de qualquer tato,
perto de algum contato,
no início por palavras comuns,
no meio por mais zooms,
no fim por mais uns…
 
momentos que:
 
A mão soa…
soa como um aprendiz,
descobrindo o que ela diz,
ao tremer, suar e descobrir,
com olhos a aferir, o fácil de sentir,
constatar, reparar e rir…
 
A mão é sua!

O Que É, O Que É? – Gonzaguinha por Carol Lopes

Valorizando os talentos locais, brindando a beleza que é… a vida!

O que é, o que é?
 

E a vida!

E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão…
Há quem diga
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo…
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor…
Ele diz que a vida é viver
Você diz que é luta e prazer
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer…
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser…
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte…
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita…
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz…
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita…
 

Manifesto – Carla Guedes

Assim me mostro de repente:
Rebelde, com causa anunciada.
Gesticulo, falo, trago o coração à tona
Desobedeço minhas próprias regras
Que é pra ver se ainda há esperança.

Jovens, tão jovens embora
De discurso tão fluido
E com tintas tão vivas nas mãos:
Querem escrever o futuro que escolheram
Pra chamar de seus.

Seus sonhos foram outros, talvez
Mais pintados de ouro que de suor.
Mas não se assustam, nem correm:
Se unem, irmanizam, e abraçam
Que é pra ver se ainda há esperança.

Escrevem panfletos, pregam nas praças,
Se preparam para o pior:
Privações, coações, não serem ouvidos
Mas nem por isso desistem
Porque não esperam, e sabem o porquê.

Avançam trôpegos, roucos, cansados
Por vezes até incompreendidos,
Por muitos até improváveis.
Mas fazem valer cada minuto da existência
Que é pra ver se ainda há esperança.

Primeiro de abril – Alice Rangel Ney

Ela resolveu que realizaria todos os seus sonhos. Então acorda cedo. Dorme com as galinhas e acorda antes do galo. Dirige. Mexe com números. E com computador. Pesquisa. Adora comer. É alta e magra. E engraçada. Teve poucos namorados. Se tivesse tido muitos eu não falaria. Mas também não foi só um. Agora todos ficarão na dúvida e ajudei bastante. Já se apaixonou e talvez ainda não tenha amado. A tireóide não funciona muito bem. Já a glândula das desculpas… Qual o nome? Aquela que faz com que ela sempre tenha uma desculpa, boa ou não, na ponta do vento? Tem poucas margarinas para tanto irmãos. Pouca cor em seu armário. Muitas combinações de preto com escuro. E de branco com alvo. Sabe se maquiar. É bonita. É linda e esta mensagem se autodestruirá alguns segundos após ela começar a fingir que se acha linda. Sabe cortar cabelo de crianças enquanto elas fingem serem estátuas. Não queria dar bom dia, boa tarde ou boa noite. Então fez curso. Não melhorou. Coloca a culpa na timidez. Preciso insistir. Não gosta de falar no telefone mas é muito boa no MSN. Lê livros rápido. Lê tudo três vezes e depois repete novamente! Talvez aqui eu tenha exagerado um pouco. Talvez ela compre três livros de uma vez e leia, cada um, uma ou duas vezes antes de repetir. E não empresta. Não empresta nem as revistas. Não empresta nem se a revista for com a Sasha. Conhece toda a história dos vampiros. E todos os filmes românticos do Del Rey. Toma coca-cola zero (ou a normal se a enganamos no cinema) e batata-frita e faz careta para o atum. A desculpa seria (lembraram o nome da glândula ou órgão?) que o atum não é comida japonesa que ela comia nas antigas sextas-feiras. Nas atuais sexta-feiras ela faz visita a jato e deixa um rastro de cárie. Tem muita mãe em seu coração. Tem muito coração. Tem a sutileza da elefoa. Acho que ela prefere a vaca. Já nadou e já competiu. E isso não tem a ver com elefantes. Só mudei de assunto. Agora faz uma luta que está na moda. E essa foi a própria desculpa. Porque também estava na moda ter um aparelho chique em casa para pendurar coisas chiques ou não. Desejem um dia andar de ônibus com ela. E aproveitando, vocês conhecem algum viúvo? Pai de um menino de cinco anos? Talvez conheçam algum mecânico. De qualquer jeito, de pedreiro ou de alguém que coma prato de pedreiro ela não está precisando. Já brincamos muito na chuva e enchemos muito balão com água. Mas não gostava de conversar com a caneca. Já foi dos Claros os Montes e agora é das Lagoas o Sete. Mas sempre nos encontraremos no Horizonte. Ou na casa das seis. Irmãos são nove. Sobrinhos, quatro. Mais as duas do coração. Vinte e cinco era a idade limite para o limite que queria e hoje já são trinta e dois. Hoje, exatamente hoje. Bom dia!

Caso do bom e belo – Thiago Amério

Caso a inspiração bata a porta,
atenda-a, anote, note a nota.
 
Caso as palavras lhe faltem,
procure-as, fite, elas agem.
 
Caso elas soem como vário,
recolha-se ,e, vá ao dicionário.
 
Caso a inércia a desativa,
pense, escreva, faz na tentativa.
 
Caso a hermética lhe desvia,
mire a essência, em calmaria.
 
Caso o resto pareça raso,
encha de areia o vaso.
 
Caso o acaso virar caso
entregue-se, dê azo.
 
Mas cuidado, nos versos,
não se perca como léxicos,
em “español” além do “cielo“:
– objetivo é o bom e o belo.

Tentativa de Poeta – Carla Guedes

Riscava as primeiras rimas
Como quem arriscava os primeiros passos.
E rabiscando de leve, redondo e lento
Compunha, em pronto, de certo
versos tolos.

E regendo assim as palavras
Libertando-as de minha são loucura,
Minha escrita, hoje, é eterna procura:
Nada de termos exatos ou
versos inteiros.

Dentre caudalosos rios fonéticos
Escolho em tantos somente poucos
Profanar temas herméticos, em meu dever de poeta;
Na proeminência de meus
versos ocos.

Meus desvarios lógicos, frenéticos
Em minha tentativa de compor versos poéticos,
Assemelho-me a crônicos, insanos, insensatos, léxicos.
Tomado por inteiro de meus
versos loucos.

Dicotomia – Thiago Amério

A gente sempre pensa em alguma coisa bonita pra dizer, pra impressionar, ser diferente, principalmente, quando se conhece (ou “re-conhece”) alguém. Talvez culpa daquele velho clichê: a 1ª impressão é a que fica. Isto é explicado, também, pelo mundo que vivemos (não sei se é o que eu quero viver) ser extremamente superficial e raso. Aquele que se vende uma imagem pelo que aparentemente é.
A eterna dicotomia “poética” da essência (do ser) x aparência (do que parece ser).

Quisera eu – Nathália Lira

Quisera eu abrir os olhos
e enxergar além de minhas pegadas
Contemplar os amanhãs e as flores
e as estradas
que repletas de olhares estão.

Quisera eu enfrentar os medos
e sem temores buscar respostas.
Ou ao menos indicios, se não for possível
esclarecer os itos e encontrar verdades.

Quisera eu ter a coragem
de abraçar meus semelhantes
na busca eterna dos amores
quem sabe irromper em lágrimas
aos mais simples toques, dissabores.

Quisera eu esquecer.
O quê?
Nem mesmo eu sei.
Talvez a fraqueza de não comprometer
nem mesmo ínfima parte do meu ser
no abrir os olhos da vaidade.

Sopro – Renato T. de Miguel

Voei por sobre as ondas, levando espumas brancas aos pés de dois jovens que corriam à beira-mar; corri por entre as árvores, saudando suas folhas com o anúncio do outono; beijei a coroa de uma montanha violentamente, trazendo a frieza do inverno às bandeiras que os corajosos ali fincaram; voejei em círculos acima das planícies amarelas de trigo e girassóis que, embora tão belas, a poucos olhos se exibiram; serpenteei por entre os arranha-céus de vidro, concreto e metal que surgiam espetados naquele mundo de pedra; choquei-me contra os rostos dos homens sofridos que viviam no mar, e não senti pena; carreguei e levei embora nuvens e tempestades; fui amaldiçoado por fazendeiros e amado pelas crianças; trouxe luz e destruição a incontáveis almas; movi moinhos; fui tema de canções. Tudo isso eu fiz, porque sou o vento. Todos me abraçaram, mas vivo sozinho, porque sou o vento… soprei nos cabelos de mil de donzelas, mas fui incapaz de amá-las. Homens e mulheres me viram nos sonhos e, ali, eram livres, porque porque em meu rastro flutuavam. Quem me dera mantivessem os pés no chão, pois conseguem amar e assim, de fato, voar. Queria, ao menos por um dia, não ser o vento.

Mãe – Alice Rangel Ney

Quando se percebeu sozinha não fez pedido, não se apegou aos santos e não acendeu velas.

Chorou. Sua tez morena se avermelhou e seu coração, antes rubro, desbotou.

Mas tão rápido quanto num dia de verão, aquelas águas sumiriam faceiras, com o primeiro raio de sol dos sorrisos das crianças. O coração reassumiria sua cor, triunfante, mas algo amolecido após tantos abraços cheirando a talco. Seu rosto se recobriria de luz ao perceber que um dedinho precisava apertar sua orelha para dormir. Seus sonhos voltariam a ser povoados de palavras doces e beijos gentis. Sua alma encontraria o rumo entre rabiscos e brincadeiras na chuva.

E seus olhos, antes esmagados pelas lágrimas, se transformariam em estrelas refletindo seus meninos correndo e crescendo e a certeza de que não, não estaria sozinha.

Motivo – Cecília Meireles

Por Fagner: 
 
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
 
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
 
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
 
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

En(cantando) – Thiago Amério

Ela vem encantando enquanto canta.
Ela foge correndo quando acaba.
Ele fica encantado enquanto ouve.
Ele queda parado quando a santa,
mulher profana que se achava,
no direito certo, com sua voz doce,
de sair sem grandes despedidas.

Ele pensa: – como as canções queridas,
tão bem expressadas pela donzela,
capazes de ir tão fundo d’alma,
conseguem fugir pela janela:
transformando a antes paz calma,
em uma constante saudade ingrata?

Ela, perdida e longe já, retorna e o mata:
– Eu só vim cantar…
– Mas seu (en)canto me fez repará-la…
– Mas eu já estou de mala….
– Há tempo de desfazê-la?
– Talvez…
– Prazer em conhecê-la.

O cinza – Renato T. De Miguel

O som não era ruim, admito. Era, no entando, tudo de bom ou útil que esse aguaceiro celeste tinha a me oferecer. Podia ser agradável aos ouvidos, ainda mais se eu tivesse vontade de dormir, mas até o sono era um desserviço a mim mesmo nesses dias cinzentos, com tantas tarefas ainda por serem feitas.

Assim, o inevitável desânimo era o grande resultado das águas de março, o que, naturalmente, me levou a desejar febrilmente o retorno do sol. E a frustração era o produto desse desejo, porque nada podia fazer a não ser ansiar pela generosidade da natureza.

Dito isso, questiono: a quem, afinal, apetecem os dias cinzentos? Há alguem neste mundo azul que se permita comprazer com um céu tomado por essa paleta única de chumbo opaco? Sem dúvida não é boa coisa ver o céu agrisalhando-se dessa maneira; tornando lúgubres até palavras que melhor figurariam em uma crônica a respeito do sol ou do amor.

Decidi que não gosto do cinza. O gris deveria permanecer apenas no campo das ideias, eis que a polarização entre preto e branco (ou quaisquer outras noções absolutas e diametralmente opostas), nesta área, geralmente leva ao preconceito, à intolerância e a outros sentimentos indesejáveis; mas não na natureza e, sem dúvida, não nas nossas vidas. Deveria ser banido e substituido pelo verde, pelo azul ou pelo amarelo. As pessoas não deveriam casar trajando o cinza, e também não seriam felizes se seus corações fossem acinzentados ao invés de vermelhos. E a prata nunca será maior que o ouro. E os prédios não serão maiores que as florestas, nem o cimento será mais belo que o mar. E me atrevo a dizer que chover não seria tão mau caso o céu trocasse em dourado ou vermelho quando março chegasse. E os dias não seriam tristes, e aquele desânimo cinzento não teria forma, sendo um magro e distante desafio à alegria que as cores nos trazem, mas que os dias vindouros nos tentarão fazer esquecer, pois é março, chove, e os dias são escuros e os arco-íris, proibidos. O meu consolo, porém, é saber todo março tem seu fim. Ah, quem me dera também o cinza o tivesse!

Ode – Carla Guedes

Poesia,
És tu, querida,
A desmanchar-se lânguida sobre o papel
Ao demorar-se líquida
Sobre um par de asas distraídas;
Ao rarear-se borboleta-vocábulo
Que acaba de pousar
Soletradamente
Sobre a flor da manhã ignóbil.

És tu que pausa, demorada,
Sobre as pálpebras do dia morno
Mesmo que querendo apressar-se
Sobre a onda desarrolhada na margem.

Poesia,
És tu, querida,
Que vem abeirar-se de meus muros,
Mesmo sem se saber concreta;
E acerca-se madura da fruta
Que ainda se demora em semente;
E que emerge destemida
Sobre as ruínas
De um tempo morto.

Ainda assim, Poesia,
Ruminas
Na boca do dia
Um vocábulo novo!

Poesia,
És mesmo tu, querida.
Oh! Tu, que vem
Bendita
Espionar-me
Os passos da rotina
Inimiga.

Palavras ao Vento – Pedro Bial

A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra
amor e se acha importantíssima por isso!
Com A se escreve “arrependimento” que é uma inútil vontade de
pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau
mais triste que existe: “adeus”… Ah, é com A que se faz
“abracadabra”, palavra que se diz capaz de transformar sapo em
príncipe e vice-versa…
Com B se diz “belo” – que é tudo que faz os olhos pensarem ser
coração; e se dá a “bênção”, um sim que pretende dar sorte.
Com C, “calendário”, que é onde moram os dias e o “carnaval”,
esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data
marcada. “Civilizado” é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra
você` e sabe o que é “contrato”: “você isso, eu aquilo, com
assinatura embaixo”.
Com D , se chega à “dedução”, o caminho entre o “se” e o
“então”… Com D começa “defeito”, que é cada pedacinho que
falta para se chegar à perfeição e se pede “desculpa”, uma
palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de “efêmero”, quando o eterno passa logo; de
“escuridão”, que é o resto da noite, se alguém recortar as
estrelas; e “emoção”, um tango que ainda não foi feito. E tem
também “eba!”, uma forma de agradecimento muito utilizada por
quem ganhou um pirulito, por exemplo…
F é para “fantasia”, qualquer tipo de “já pensou se fosse
assim?”; “fábula”, uma história que poderia ter acontecido de
verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e “fé”, que é
toda certeza que dispensa provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a
confundem com o J. G, de “grade”, que serve para prender todo
mundo – uns dentro, outros fora; G de “goleiro”, alguém em quem
se pode botar a culpa do gol; G de “gente”: carne, osso, alma e
sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de “história”: quando todas as palavras do
dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer
coisa que tenha acontecido ou sido inventada.
O I de “idade”, aquilo que você tem certeza que vai ganhar de
aniversário, queira ou não queira.
J de “janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de “jasmim”,
que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar
assim.
L de “lá”, onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do
que aqui; de “lágrima”, sumo que sai pelos olhos quando se
espreme o coração, e de “loucura”, coisa que quem não tem só
pode ser completamente louco.
M de “madrugada”, quando vivem os sonhos…
N de “noiva”, moça que geralmente usa branco por fora e vermelho
por dentro.
O de “óbvio”, não precisa explicar…
P de “pecado”, algo que os homens inventaram e então inventaram
que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de “rebolar”, o que se tem que fazer pra chegar lá.
S é de “sagrado”, tudo o que combina com uma cantata de Bach; de
“segredo”, aquilo que você está louco pra contar; de “sexo”:
quando o beijo é maior que a boca.
T é de “talvez”, resposta pior que ´não`, uma vez que ainda
deixa, meio bamba, uma esperança… de “tanto”, um muito que até
ficou tonto… de “testemunha”: quem por sorte ou por azar, não
estava em outro lugar.
U de “ui”, um ài” que ainda é arrepio; de “último”, que anuncia
o começo de outra coisa; e de “único”: tudo que, pela facilidade
de virar nenhum, pede cuidado.
Vem o V, de “vazio”, um termo injusto com a palavra nada; de
“volúvel”, uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que
querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita… X de “xingamento”, que é uma
palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e
de “xô”, única palavra do dicionário das aves traduzida para o
português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi
usada pelo Zorro… Z de “zaga”, algo que serve para o goleiro
não se sentir o único culpado; de “zebra”, quando você esperava
liso e veio listrado; e de “zíper”, fecho que precisa de um bom
motivo pra ser aberto; e de “zureta”, que é como fica a cabeça
da gente ao final de um dicionário inteiro.