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Equilíbrio – Thiago Amério

Para aqueles que lêem além da horizontal. Equilíbrio é nossa balança principal.
O caminho do meio para os budistas,
eu, sem receio, abro-te o ponto de vista:
– nem tão menina A, nem tão menina Z.
– nem divinizar, nem só “pro meu prazer”.
– nem por narcisar, menos ainda por desleixo.   
– nem dizer só, nem agir por impulso.
– nem que haja só sol, ou só chuva em abuso.
– nem o 08, nem o 80.
– nem caminho já certo, nem só o que tenta.
– nem é libertinagem, ou mesmo abstinência.
– nem o padre, nem o pecador.
– nem equilíbrio forçado por mito assustador.

O pé de jambo – Nilda Carvalho

 

Era uma árvore encantada! Suas folhas lhe davam um porte diferente. Altaneiro!  A meu ver, encantado!  E quando florescia então! Ao cair de suas flores o chão se pintava de rosa.  Mas não era um rosa qualquer! Era aquele rosa! Rosa choque!  Eu me deleitava! Minha imaginação infantil fervilhava!  Dançava, cantava, pulava! Era uma festa! E tudo por causa daquele tapete rosa choque! Então… Tudo mudava! Chegava a temporada de seus frutos. Jambos! Muitos jambos!  Não mais o tapete cor de rosa!  Aquela árvore era mágica. A magia estava no ar! Pássaros e crianças! Um imenso colorido de alegrias! Junto ao gorjeio dos pássaros a gargalhada da criançada em algazarra.

A vida era uma festa!

Aquela árvore frondosa escreveu sua história! Uma história sem começo, sem meio e sem fim. Só cheia de continuação! Ela é uma mistura do tempo e espaço.  Mistura de reinos onde a alegria contagia! Alegria do “ser”, “permanecer”, ”ficar”! Uma completa ligação de euforia! Alegria! Alegria!

1, 2, 3… – Carla Guedes

Poesia para registrar este 18 de maio, que é o Dia Nacional de Combate à Exploração e o Abuso de Crianças e Adolescentes. Em homenagem àqueles que perderam, nalgum lugar, por brutalidade, seu direito de ser só criança. Denuncie!

Era uma família
1, 2, 3…
Com pai, mãe, tia,
Avô, tio e filha.

Era uma infância
1, 2, 3…
Brincar de bola, pipa, boneca,
Ir à escola, jogar pião, peteca.

Era uma criança
Era uma vez…

Antes seu corpo que corria leve e solto
Agora traz a marca de um crescimento forçado.
E se antes sorria, com sorriso inocente
Agora traz no rosto um sorriso emprestado;
É que o Abuso entrou pela porta da frente
E a dignidade da criança saiu d’outro lado.

A violência com que foi arrancada da infância
Deixou um vazio de boneca, peteca e sonho
Pois seu corpinho pequeno, tão frágil,
Virou objeto mesquinho daquele que roubou o seu futuro
Em prol de um desejo ágil.

Era uma família
1, 2, 3…
Ninguém cumpriu o seu papel.

Era uma infância
1, 2, 3…
Ninguém viu como ela se perdeu.

Era uma criança
Era uma vez.
Que só queria ser feliz… e ser criança!

A mulher e seu passado – Rubem Braga

Hoje peço licença pra trazer as palavras do Velho Braga. Não sei porque, mas me parece adequado 🙂

Ela conta a história de uma freira que a atormentava no internato, em seu tempo de menina; de um homem que a fez viver longamente entre o desespero e o tédio, a revolta e a humilhação. E fica meio magoada porque a tudo eu sorrio, porque eu não pareço participar do sentimento com que ela fala contra essa gente que passou. Afinal, ela também sorri: “Você é meu amigo ou amigo da onça?”

Sou seu amigo. Mas rico ri à toa, e eu me sinto vertiginosamente rico porque essas histórias, alegres ou tristes, ela me conta de mãos dadas, junto de mim. Digo-lhe isso; mas não lhe confesso que aprovo e abençoo todas as coisas e pessoas que povoaram seu passado, e tenho vontade de dizer:

“Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que te maltrataram; bendito o artista que te adorou e te possuiu, e o pintor que te pintou nua, e o bêbado de rua que te assustou, e o mendigo que disse uma palavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que te traiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando ainda eras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava a noite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantando em tua janela; e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca; e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo e teu remorso a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que o fizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranquilo e o tédio; e a mulher anônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por ti mesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolver em suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e a velhinha de preto que ao te ver passar disse: “moça linda”; bendita a chuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que fez saltar o teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua que te surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as árvores azuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e te trouxe até mim. Bendita sejas tu.”

Abril, 1964

O sentido do amor – Renato T. de Miguel

Acordei às quatro, tomei café, brinquei com os cachorros e decidi não sorrir. Calcei os sapatos, corri vinte quadras e suei, mas não chorei. Nadei numa rua de asfalto e pedra, enquanto descia a ladeira, porque era tarde, e as tardes são mais curtas que as noites nestes dias frios. Mas nas longas manhãs eu iria sorrir e, talvez até por isso, hoje não sonhei. Em vez disso, vaguei descalço sobre o gelo e sob a chuva enquanto os lençois vermelhos flamulavam sem vento e sem som e, nas paredes, as letras eram pequenas e saltitavam de alegria ao vê-la passar enquanto o mundo parava ao seu redor; na fronte havia uma pequena pedra azulada que subia e descia ao sabor dos finos vincos que lhe adornavam a testa. Será que era em vão? Porque a fina película de vidro prateado que os unia e, às vezes, os separava, poderia ser quebrada em um sopro antipático a qualquer hora do dia ou da noite. E na areia não ficaria a marca do que quer tivessem vivido, porque o mar não se importa com os anjos, ainda que mereçam viver. Ainda que mereçam sorrir.

De repente um dia faz sentido.

Citação aleatória – Clarisse Lispector

Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca […].

 

Chutes à mãe – Thiago Amério

manu

Chutes na barriga te acordam,
e ao mesmo tempo te afagam.
Deveriam, certo, incomodá-la
mas eu, decerto, a amá-la.
 
E, ante a minha tenra idade,
esse era o meu modo de falar,
minha boca era só o calar,
e os chutes? – A única habilidade.
 
Através deles expressava a felicidade.
de estar em você, sob o ventre de luz,
agradecendo (chutando!) a oportunidade
de poder nascer, e é por isso que pus,
meus pés com força contra sua barriga,
para congratular aos céus a mão amiga,
que me proporcionou o bem maior: – a vida!
 
Torna-se até injusto só saudá-la às vezes,
já que está por nós em todos os meses…
NÃO te comemoro só em época certa e sabida.
 
E, antes que digam: – a data foi esquecida;
venho lembrá-los de uma lição genial:
– dia das mães é todo dia, superficialmente,
no Brasil a data atual.

Calma – Ana Ney

 
Há diversos momentos em que penso o motivo
de se ter tanto pressa e do nunca chegar,
e do instante perdido, no correr instintivo,
que por sua breveza só nos chega ao passar.
 
Há eternos momentos em que vivo um presente  
que se esvai no segundo que parei pra pensar
e, pensando me perco, procurando insistente
a razão da loucura do seguir sem parar.
 
Há constantes momentos em que sonho um futuro
que de certo se expira dentro do meu sonhar…
É que sonhos pertencem a um lugar mais seguro
e persistem com vida após ela acabar.
 
Mas nos vários momentos, feitos de um instante,
a certeza que o tempo é o agora; e o lugar
pode cada vez mais ir ficando distante,
se deixarmos pra trás o que viemos buscar!

Começo de um guerreiro – Igor P.F.V.

Estou inteiro
Sem um pedaço
Espero primeiro
Por um abraço

Não sei o que faço
Confio
Dou mais um passo
Em Deus me guio

Acredito, então
Que a oração
meu amado irmão
É a mais forte arma do coração

Não sou poeta
Apenas busco a meta
De que algum dia
Meus atos sejam poesia

Como disse outrora
Não vejo a hora
Que passe a demora
No esperar que não vem pra fora

O que pode parecer um fim
Não é pra mim
Nada mais que um tropeço
Verdadeiro começo

Afinal, quando se dá o início de um guerreiro
No nascimento
Ou no momento
Que sobrevive a um golpe “derradeiro”?

Exemplo pelo não – Thiago Amério

Alguns já pensam em matemática: – “a ordem dos fatores (não – capturamos ele) altera o produto”.  Quantas vezes não conseguimos entender e só o exemplo é capaz de clarear? Mas pelo português que, agora, atuam os mais famosos advérbios de negação (capturados), porquanto o exemplo:

Não é imitação, não é repetir, não é decorar; Não é reducionista, não é superficial, não é minimalista; Não é copiar, não é ludibriar, não é vender.

Não é indiscreto, não é secreto, não é falso; Não é o óbvio, não é o mais fácil, não é o jeitinho; Não é o ninguém está vendo, não é o faça o que eu falo (mas não faça o que eu faço), não é hipocrisia.

Não é peixe dado, não é resultado, não é propaganda; Não é guerra, não é imposição, não é dogma; Não é o conforto, não é a preguiça, não é o cansaço; Não é largar o braço, não é covardia, não é omissão; Não é proibição, não é intolerância, não é ditadura; Não é ordem cega, não é palavra ríspida, não é grosseria.

Não é dinheiro, não é poder, não é fama; Não é gana, não é egoísmo, não é vaidade; Não é ícone por prazer, não é formalismo sem sentido, não é líder metido; Não é arrogância, não é prepotência, não é maledicência; Não é calúnia, não é politicagem, não é sacanagem.

Não é jogo de interesses, não é o seu próprio umbigo, não é fingir ser amigo; Não é só em época de eleição, não é efêmero, não te abandona; Não é impaciente, não é relaxado, não é desleixado.

Não é incapaz, não é incoerente, não é contraditório; Não é ignorância, não é desconhecimento, não é ambíguo; Não é desertor, não é traidor, não é sorrateiro.

Não é déspota, não é arbitrário, não é sanguinário; Não é imaginário, não é surreal, não é utópico; Não é usurpador, não é malfeitor, não é trágico; Não é triste, não é cabisbaixo, não é retrato.

Não é poesia, não é palavra, não é discurso; Não é estático, não é quadrado, não é fechado; Não é seco, não é áspero, não é chato.

Não é realeza, não é pedestal, não é tapete vermelho; Não é anormal, não é sobre-humano, não fura-filas; Não é vantagem, não é regalia, não é ponto fora da curva; Não é desigualdade, não é corrupção, não é discriminação; Não é ilegal, não é antiético, não é imoral.

Não é inflexível, não é infalível, não é invencível. Não é opaco, não é denso, não é tenso. Não é atemporal, não é “ahistórico”, não é perfeito. Não é o fim, não é o último, não é imortal. Não é a última rainha do deserto, não é o sempre certo, não é o mais esperto.

É a idiossincrasia, em eterna vigilância, em busca de constante evolução!

Prantos a uma ideia fugidia – Renato T. de Miguel

Tão rápido quanto chega, ela se vai. Passa batida como um bólide antes mesmo que eu ouse registrá-la em papel. É a sombra de uma ideia fugaz que se esvai na mente tal qual a fina areia por entre os dedos de um menino.

A princípio, parece boa e talvez até mesmo troque em um bom texto se eu tentar o bastante. Tudo que preciso fazer é revesti-la de belas palavras e de uma métrica regular que não maltrate os olhos. É uma ideia generosa, apresentando-se a mim sem pedir nada em troca. Ah, como é altruísta essa tal de inspiração.

Como dito, porém, ela não se faz perfeita. E sua efemeridade é a sanção adequada imposta ao escritor preguiçoso. Talvez aí resida a distância entre um poeta e um mero brandir de lápis: talvez aquele consiga aprisionar as palavras no coração tão logo surja diante de si, glorificando-as com o seu talento ao materializá-las em papel, ao passo que um mero detentor de tinta é tão desidioso que se torna incapaz de segurá-las, ainda que tenham elas se insinuado face a ele.

Que bom seria se eu fosse um gigante; um Hefesto mais glorioso que Apolo, que pudesse gravar a fogo as palavras, por menores que fossem, nos ossos das maiores montanhas; que pudesse pentear os desertos e esculpir naquelas dunas as poesias que, ainda embrionárias, me brotassem na mente. Mas nada disso consigo fazer, apenas posso lamentar a desídia e a frouxidão dos laços da minha cabeça e, resignado, esperar pela próxima generosidade das letras, rogando, a Deus, que elas nunca desistam de mim.

Anti-cinesia – Carla Guedes

[Pausa]
pro aplauso, pro abraço,
e também pra foto
n’aquele segundo nosso
eternizado na retina.

[Pausa]
pra vida que passa corrida,
escrava da rotina,
e que a gente ainda insiste
em agarrar pelos dedos:
feito criança agarra areia
quando o corpo tá todo dentro do mar.

[Pausa]
pra lua minguante despontar
no momento mais latente
e de rebrilhar brejeiro
com hora e minuto marcado.

[Pausa]
pro Rio de Janeiro
de passo apressado:
eu tentando a [pausa] desesperada
na bolha de sabão efêmera
que a vendedora produz
por uma pechincha na calçada.

[Pausa]
pra viver mais,
e pra lembrar do gosto
do meu doce predileto.

[Pausa]
pra lembrar o sonho que tive
contigo, decerto:
comigo comprando rosas rubras
pra te ofertar;

e

[Pausa]
pra ressonhar o sonho
de hoje e amanhã:
aquele que me fará
abrir os olhos e levantar cedo
(ou às vezes, nem sempre).

[Pausa]
pra fechar os olhos
e me permitir escutar
a voz que eu não me permito
ouvir logo:
e que é minha própria,
silenciando enfaticamente.

[Pausa]
pra ser feliz
e poder não lembrar
de quando era quando
nada dessa alegria havia;

[Pausa]
pra minha pausa
que eterniza pausas na vida:
[Pausa] e aplausos
pra amiga poesia!

Páginas de minha vida – Nilda Carvalho

 
Hoje me deu uma vontade imensa de revisitar a infância sentada aos pés de minha mãe Stella, em sua máquina de costura.
Lembro-me como se fora hoje!
Gostava de ouví-la cantar canções antigas, que lhe traziam um olhar saudoso e que aos meus ouvidos ressoavam como melodias encantadas!
Como suas mãos eram ágeis! E como eram bonitas!
Aqui uma linha a enfiar na agulha, ali, uma renda a pregar!
Uma brisa suave entrava pela janela, guarnecida por brancas cortinas de tecido esvoaçante.
Lá da cozinha chega-me o cheirinho gostoso de um café sendo coado! É minha irmã Heloisa cuidando de seus afazeres!
E eu, sonhava acordada!
Ouvia e via personagens mil a desfilar em meus sonhos! Aqui um riacho. Ali uma fada! Viajava! E como viajava!
Conhecia cachoeiras, campos, flores multicores! E como sorria e cantava, brincando na ciranda da vida que imaginava!
E sonhando acordada aprendia no livro da natureza! Lá longe, muito longe, escuto a voz suave que me encanta! Estou feliz!
De repente, me sobressalto com sua voz, que me desperta dos devaneios:
– Filha! Para onde foi? Não me escuta? Atenda a porta! Alguém bate!
E mais uma vez assusto-me novamente! Não é que estou novamente, sonhando acordada?

Pequena historieta para uma vida longa – Alice Rangel Ney

                                         Ao poeta aniversariante,  pálida homenagem.

        Era uma vez, num reino tão, tão perto, entre um rio e um mar, há muitas e muitas semanas atrás, um castelo com muitas ostras. O rei e a rainha deste castelo eram muito felizes. Quando o primeiro príncipe nasceu, todo o povo se alegrou. Era um príncipe loiro e ainda pequeno já era muito inteligente e sensível. A primeira palavra que falou, dizem, foi flamengo, um tipo de jogo de bolas ou baralho, não se sabe ao certo, jogado por muitos homens e muito comum naquela época. Um dia, já garotinho, o principezinho loiro, sensível e inteligente, começou a se sentir sozinho e quis ganhar uma irmã. Não sabemos o que seus pais haviam lhe explicado (afinal, eram reis, eram muitos ocupados) que ele resolveu pedir que jogassem uma irmãzinha para ele quando um balão (ou um avião se já tivesse sido inventado) voou por cima do reino. Conta-se que algum tempo depois chegou sã e salva uma princesinha muito bonita e inteligente. Ela era também muito meiga, sensível, bondosa, amada pelo povo… Ah, e o príncipe loiro era um ótimo irmão.

      O reino prosseguia em muita paz. No castelo, com muitos súditos, quartos e animais, todos viviam contentes. Reza a lenda que houve por ali uma ama muito boa que cuidou muito bem dos pequenos príncipes e nunca esqueceu de guardar a comida deles, não deixando que se estragassem.

      Os reis gostavam de visitar outros reinos próximos. A rainha era ótima em dirigir carruagem e gostava de ver os sorrisos branquinhos da crianças pelos reinos. O rei gostava de manter a ordem e era muito conhecido por sua calma e paciência. Após muito trabalho, o rei e a rainha, resolveram se aposentar. Sairiam por outros reinos, de trem e barco e tomariam muito vinho. O príncipe loiro, inteligente e sensível teria uma grande responsabilidade. Seria o novo rei.

      Sua primeira ordem, dizem, foi proibir que fossem feitos doces e tortas com um tipo de fruta muito usada naquele reino. Há registros que a frutas era chamada de coco. Depois instituiu que todo cidadão de bem aprenderia a tocar o instrumento oficial da corte que, segundos desenhos da época, era feito de cordas e tinha um buraco no meio. Passou um tempo em um outro reino para se aprimorar nas leis. Alguns textos da época mostram também que determinou que toda irmã mais nova, quer fosse princesa (linda, meiga e inteligente)  ou não, buscasse água quando o irmão pedisse. E escrevia todas as novas leis com muitas rimas e métricas.

      Quando os reis voltaram ficaram muito orgulhosos do filho. E deve ter passado por ali outro balão, dirigível ou avião, porque os reis trouxeram com eles um novo principezinho e ele gostava muito de comer umas folhas verdes e de dar uns saltos.

       Um dia o já grande príncipe-rei conheceu sua linda rainha, muito inteligente e que o amou muito. Casaram e tiveram muitos filhos, uns dois.

       Conta-se que ele foi um rei muito amado e feliz. E fez muitas pessoas felizes. Foi justo e bem-humorado. E em seu aniversário de oitenta anos, cercado por seus filhos lindos e inteligentes, sua esposa, os pais bem velhinhos e os irmãos, houve uma grande festa. Havia muita música, poesias e todos comeram algo muito comum naquele reino. Era redondo, fino, com queijo e muitas outras coisas em cima. Eles davam o nome de rodízio e era quatro de maio.

                                                                                                                              FIM

Pausa para foto – Thiago Amério

Em dia típico de fototografias, pause para refletir:
 

Pausa para foto: – vá… sorria.
 
Em posse de sorrisos forçados,
ludibrio sentimentos tensos.
 
Desposse estou de recados,
mas, queria expressar o que penso.
 
Lacuna pra fotografia: – vá… só ria.
 
Não querem gastar mais pose…
– ande rápido. É o que se ouve.
 
(Enquanto se prepara pro close,
entre cliques, gestos, não ouse.)
 
Espaço pro retrato: – vá… ria só.
 
Precisam logo! A festa terminará.
No hiato dos flashes, reflito o nó:
 
Ainda não registram normalidades?
Destarte, então, guardam vaidades!
 
Sem mais máquinas: – agora, rio só.
 
A festa acabou… porém o véu retornará.
Quando um fotógrafo vier a lhe chamar.
 
Mas antes pense se reflete a verdade,
não vale mais desculpa por ingenuidade.
 
Hora da câmera: – vá… é sua: a alforria!