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Brincadeira do Coração – Igor P.F.V.

 

Certa vez escutei uma música que diz
Sozinho é impossível ser feliz
Vez por outra o coração me pergunta: Será?
A resposta somente o tempo haverá
 
O tal do coração gosta de brincar
Brincar de Salada-Mista
Muitas vezes sem olhar
Na maioria dando pista
 
E quando pergunta:
É essa?
Sei lá…
É essa?
Já disse…não sei
É essa?
É você quem tem que responder, poxa!
 
O certo é
Que não há como saber
Com fé…
Talvez…entrever
 
Sendo cúmplice para confiar
Não há certeza alguma sobre o por vir
Saberá, pois, que tentar não basta
Amar demanda se permitir

Um outro bem de não sonhar – Renato T. de miguel

Você toma as mãos dela nas suas e percebe que nunca se cansa de imaginar como elas estão sempre mornas, ainda que a noite insista em lhe recordar que é inverno. Um delicado anel cinge um dos pequenos dedos, perfazendo uma sugestão distante do que poderia ser o futuro. Os olhos dela chamam os seus, e neles nasce um sorriso que se espalha pelos lábios e bochechas do rosto claro e agudo. Você larga as mãos dela, porque agora irá segurar-lhe o rosto, e os lábios se tocam uma vez. Duas vezes. E depois outra. É a hora da despedida. O seu voo foi anunciado e você não pode se atrasar. Alguns dias à frente se encontrarão novamente, você sabe, mas mesmo assim ‘o até logo’ é doloroso, como uma agulha aquecida pelo fogo. Você segue pelo saguão e sabe que ela o observa, de longe.

Seus olhos se abrem relutantemente à ainda tênue luz da manhã. O celular embaixo do travesseiro lhe diz que ainda são cinco horas, mas essa informação é logo esquecida, porque o sonho estranho aconteceu novamente. A lembrança é suave, mas mesmo assim os lençois estão úmidos e derem à pele, enquanto os cabelos firmam-se à testa. Três vezes em três dias lhe fazem acreditar que isso tem algo a lhe dizer. Você fecha os olhos novamente e tenta retornar àquele cenário. Quer saber o que acontece, pois existe algo novo naquilo. Algo vivo e elétrico. Algo perigoso. Quer entender de onde vem o perigo.

Você fracassa, já que agora os sonhos são meros recortes psicodélicos de pensamentos ou ocasiões desimportantes, então você abre os olhos e o celular lhe diz que são nove horas. Depois levanta e vai pra vida imaginando qual o sentido de ter um sonho daqueles. E quando a encontra mais tarde, com aquele sorriso branco e mãos delicadas, acha que talvez a resposta esteja ali, longe dos mundos oníricos, porque você sente o perigo real, a eletricidade doce e o calor que começa no estômago e incendeia o corpo todo, e então sabe, finalmente, que deseja nunca mais sonhar.

Sigma do enigma da sintonia – Thiago Amério

Sintonia pode ser considerada como harmonia?

Sinfonia de acordes num mesmo tom de alegria?

Seu significado de concomitância, acordo mútuo,

mesma frequência, reciprocidade, mostra de vulto

o que ela pode expressar…

 

Porém, qual sua origem? Lançado, pois, o enigma:

talvez nem Édipo, desvendador da Esfinge será

capaz de decifrar, conhecer, definir ou demonstrar

como é o início dessa magia; como ver o paradigma;

 

É possível que só o alfabeto grego possa pelo sigma

da solidariedade (no Brasil de integralismo), de somar,

tentar, de raso,  precisar, aquilo difícil de conhecer ao fundo,

a essência cujo o mundo consegue sentir, perceber, mas…

indecifrar!

 

Só a letra “S” em grego pode tentar:“a menudo”;

pois sempre ela tenta, embora nem sempre consiga,

demonstrar pelo ar a dupla e harmônica cantiga,

aquela já antiga, ecotidianamente cantarolada

pelas aves afins no luar ou em fiel alvorada,

o (en)canto, intérprete, da fantasia:

o (en)canto, protagonista, de parceria!

Mutante – Tempo e Reino

Como é bom sonhar!
Realidade doce, leve de profunda emoção.
Aqui não há melancolia.
Com os pés nesta terra dura e fria
Em meio a loucura insanidade, aqui sou “são”.

Deste quadro por que me envergonhar?

No subjuntivo manifesta-se o desejo, no subjetivo sua origem está.
Na contramão das leis que aqui imperam.
Neste Reino de Homens, com interesses egoísticos que proliferam
As conjecturas, as utopias tem seus prepostos a trabalhar.

Que mal há pensar, refletir outro Reino almejar?

Pois, que passemos ao indicativo, e que seja o presente.
Uma vez que desejo, tantas coisas vejo.
Sonho!

Os céus continuo a fitar.
De braços estendidos te convido.
Que esta nossa cruz possamos carregar.

Um dia e mil noites no fim do mundo – Renato T. de Miguel

Eram três horas depois do nascer do sol e eu desejava que ele se deitasse novamente – a alvorada traz esse anseio quando se vive às bordas do fim do mundo. O odiado som arranhado e levemente metálico produzido pelos galos todas as manhãs anunciava que aquele sonho, no qual eu me encontrava longe dali, deveria terminar e a vida deveria continuar sob o manto daquele marasmo absolutamente incompatível com a energia de criança, cruelmente acorrentada dentro de mim.

A caneca de achocolatado e o pãozinho com manteiga levavam o gosto do desânimo, ao passo que a frieza da porcelana e do retângulo de vidro sobre a pequena mesa da cozinha representava a sensação geral daquelas manhãs gélidas e opacas que não guardavam relação alguma com o sol escaldante do lado de fora, sol este que nunca era desafiado pelo vento, pois todas as folhas de todas as árvores eram imóveis no fim do mundo.

Não era ruim (na verdade era um dos mais aprazíveis momentos do dia) o trajeto em direção à escola sobre a pequena bicicleta que ia sacolejando por sobre o solo acidentado de barro vermelho que cobria todos os cantos da minúscula e odiada cidade (e é claro que era odiada, eis que estava localizada no fim do mundo, e ninguém gosta de viver no fim de todas as coisas, ainda mais se já tivesse vivido no começo ou mesmo no centro de algum lugar).

Na escola, a maior lição que eu poderia aprender era a incalculável distância a que eu me punha do verdadeiro lar, aquele pelo qual o meu coração de criança berrava todas as manhãs, tardes e noites. E por falar em noites, eram tão longas que soavam como mil delas. Cada segundo na quietude noturna do fim do mundo parecia responsável pela existência de uma estrela no céu. O jantar era o marco que nos dizia que mais um dia havia terminado, o que não era consolo algum, pois o dia seguinte estaria lá para nos saudar com toda o seu marasmo desprovido de vento ou brisa.

Um dia, é claro, como é o direito de toda criança, o vento acordou, a alvorava finalmente brilhou da forma que lhe era adequada e as noites finalmente pareciam apenas um doce repouso. Mas ao fim do mundo não se deve creditar essa benção, senão pelo fato de ter ficado para trás, na memória e no papel. E embora se possa admitir que nem tudo foi perdido naquela curta passagem pelo fim de todas as coisas, a ele dou apenas o meu adeus, frio e distante como eram aquelas manhães, e interminável como aquelas noites que tinham sabor de mil.

Macaé, 10 de julho de 2012

Verso – Ana Ney

Qual a força que a um verso se destina,
quando se percebe verso, e quer voar…
Todo verso tem bem mais que tinta e rima
tem um coração pronto pra amar…

Quem protege o verso de quem o interpreta,
quando um verso quer somente aquietar…
Todo verso espalha a alma de um poeta
tem o seu coração a espelhar.

Como pode sempre um verso ser correto
quando o verso é feito pra extravasar…
Todo verso, mesmo tímido e discreto,
tem um coração a transbordar.

Como pode se escrever um verso triste
se o verso é feito para iluminar…
todo verso é sentimento, e a dor existe
dentro de um coração a se equilibrar

Qual a força que a um verso se destina
quando um verso quer ser verso pra voar…
Não importa, quando versos de menina
são tão frágeis e só querem descansar.

A Pelada – Marco Di Spirito

Devemos esclarecer, de início, que esta crônica provavelmente não
agradará ao leitor brasileiro, porque não trata de mulher despida ou
de jogo de futebol. Cuida-se, sim, de um problema científico, e talvez
por isso a maioria dos brasileiros desistirá de seguir na leitura a
partir deste parágrafo. Afinal, segundo a cultura de nosso país
ciência é algo que não leva ninguém a lugar nenhum.

Feito esse esclarecimento inicial, para que não se diga que o título
consiste em “propaganda enganosa”, vamos ao triste fato, objeto de
nossas preocupações, ocorrido com o Dr. Tobias.

Advogado atarefado, Tobias não dispõe de tempo para nada e, por isso,
julga não ser possível eleger um barbeiro de sua predileção. Sempre
que percebe que a cabeleira atingiu o ponto do ridículo, ele ingressa
na primeira barbearia disponível, sem considerar qual o seu aspecto,
onde se encontra situado o estabelecimento ou o valor cobrado pelo
serviço. O causídico acredita que este proceder poupa-lhe tempo com
deslocamentos, haja vista que barbeiros existem em qualquer local.

Certa feita, a fim de atender a determinado cliente, que buscava
consultoria sobre fusão entre portentosas sociedades empresárias, o
Dr. Tobias dirigiu-se ao local da reunião, situado em bairro que até
então desconhecia. Antes de descer do automóvel, todavia, notou, pelo
retrovisor, que seu cabelo atingira aquele ponto de arrancar risos de
soslaio.

Já defronte ao local aprazado, identificou que havia se esquecido de
voltar uma hora no relógio, em razão do horário de verão encerrado no
dia anterior. Assim, com a folga de horário recém-descoberta,
deliberou por cortar o cabelo. Foi informado sobre o salão do Toninho,
situado há alguns quarteirões acima.

– Toninho Tuberculoso – emendou o transeunte, não sem levar uma
cotovelada de sua companheira, ante a adjetivação dispensável.
– Tuberculoso?
Na verdade esse é um apelido que lhe deram por causa de suas tosses,
provavelmente ocasionadas pelo hábito do cigarro – explicou a
companheira que desferira o cutucão, um tanto envergonhada.

A eventual doença do barbeiro não foi considerada pelo Dr. Tobias,
tampouco o hábito do cigarro, que geralmente impregna o usuário de
repugnante odor. Submeteu-se, pois, ao corte, sob as frequentes
interrupções do barbeiro Toninho, que nesses intervalos virava o rosto
e dava vazão a tosses longas e sonoras.

Durante a reunião, não obstante o cabelo cortado, Tobias percebeu
olhares direcionados para a sua cabeça, seguidas de sorrisos contidos,
aqueles que tanto queria evitar. De regresso ao lar, constatou que lhe
fora retirada acosteleta esquerda, a contrastar com a discreta
costeleta direita, que deveria ter sido reproduzida em simetria do
outro lado, conforme solicitado.

Num primeiro momento, o advogado pensou em aparar a costeleta direita,
mas sofria em pensar que deveria abrir outro horário em sua difícil
agenda para comparecer novamente numa barbearia. Pensou, então, que
deveria acompanhar o crescimento da costeleta arrancada, enquanto não
surgia a oportunidade combinada de tempo e local para cortar a outra.
Dessa forma, o fato que ocorresseem primeiro lugar solucionaria o
problema: ou a costeleta esquerda cresceria ou, se surgisse o ensejo,
retiraria a direita. E assim resolveu, satisfazendo-se intimamente, de
modo a afastar qualquer inquietação.

Seguiu acompanhando, durante dias, o crescimento dos cabelos do lado
esquerdo, mas para seu espanto nenhum fiozinho despontou. Tornou-se
deveras preocupado quando constatou que a costeleta esquerda
continuava absolutamente lisa, mesmo depois de decorridos dois meses
após o relatado incidente.

O transcurso de tão considerável tempo suscitou no Dr. Tobias o
pensamento de que poderia ter contraído tuberculose do barbeiro
Toninho o qual, além de incompetente, também seria, de fato, doente.
Seria uma espécie de tuberculose localizada, que impediria o
crescimento de sua costeleta? Teria ele que viver eternamente sem as
costeletas que tanto estimava? Será que esta doença se espalharia por
todo o seu couro cabeludo, dando origem a inusitada espécie de
calvície?

Reuniu forças e, finalmente, resolveu abrir-se com alguém. Procurou
seu amigo Ariosvaldo que, após examinar a região, diagnosticou:

– É pelada!
– Pelada? O que é isso?
– Pelada, ora, nunca ouviu falar? É aquela doença que se alastra na
pele e faz cair os cabelos.
– Nunca ouvi falar nisso…
– Vai me dizer que você nunca viu um cachorro com pelada?
– E tem cura? Meu cabelo poderá crescer de novo?
– Bem, isso já vai além dos meus conhecimentos – disse Ariosvaldo com
tom de autoridade.
– Pois bem, vou procurar um dermatologista – lamentou Tobias,
angustiado porque teria que reservar mais um espaço de tempo para
consultar-se com um médico.

E, antes de agendar a consulta médica, foi recolhendo as mais diversas
opiniões acerca do seu problema. Seu pai opinou por uma rara micose. A
empregada de sua mãe disse que se tratava de cobreiro, provavelmente
causado por uma lagartixa que teria passado por seu rosto durante o
sono noturno. Seu colega de trabalho sugeriu a lepra e desde esse dia
evitou qualquer proximidade. Uma tia benzedeira chegou a aventar a
hipótese de Tobias encontrar-se aguado.

– Aguado? Mas no que consiste isso?
– É quando desejamos muito alguma coisa e, por qualquer evento, essa
vontade não se satisfaz, é frustrada por alguma causa muito
traumatizante. Seu primo Ricardo, quando criança, ficou aguado por
causa de um pirulito que na ocasião eu não podia comprar e chegou a
ficar meio abobado por alguns dias. Deu-me um trabalho tremendo para
sará-lo!

A esta altura o advogado percebeu que deveria relegar a solução da
questão para a ciência, motivo pelo qual não tocou no assunto até o
dia da entrevista médica.

Para sua decepção, o dermatologista examinou e reexaminou o local,
intrigado, sem arriscar qualquer diagnóstico. O médico requisitou
inúmeros exames e solicitou o retorno do paciente dentro de trinta
dias.
Tobias, contudo, não poderia permanecer mais trinta dias naquela
indefinição. Principalmente porque angustiava-lhe a hipótese de ter
contraído a doença do barbeiro. Surgiu-lhe, então, a ideia de retornar
ao Toninho Tuberculoso para solicitar-lhe a retirada da costeleta
direita. Nesta oportunidade, criaria coragem para perguntar-lhe se ele
seria portador de tuberculose.

Na cadeira do barbeiro, sob a avaliação inicial do profissional, o Dr.
Tobias recebeu atrevido comentário:

– Parece que o senhor não sabe fazer a barba…
– Como assim?! Retorquiu energicamente Tobias, indignado.
– Ora, percebo que por detrás da orelha do senhor existem muitos pêlos
que não foram cortados…
– É que eu sou um profissional muito ocupado e não tenho tempo de me
barbear no espelho! Faço minha barba debaixo do chuveiro!
Justificou-se o causídico.
– Ué, mas como o senhor faz para não cortar a costeleta com o aparelho
de barbear?
– Isso é fácil – respondeu o advogado como se estivesse revelando
brilhante técnica – com o tato identifico os pêlos e passo o “gilete”
a partir do local em que eles não se encontram!

E, sem dar atenção às demais considerações do barbeiro, Tobias
calou-se, envergonhado, pois acabara de descobrir o motivo científico
pelo qual sua costeleta esquerda não crescia há mais de dois meses.

Disponha – Jr. Bugalu e T.

Repondo arte com um rock jr. (Não é o jogador… rs).
 
Agora sim, por incrivel que pareça,
me toquei nas diferencas e notei com consciência
que tudo tem seu lugar, que tudo tem seu lugar.
 
E isso ai..
Se eu tô certo ou tô errado,
meu pensamento tá escravo
de uma ideia que se faz, diferente das demais!
 
Disponho do seu cuidado…
sentimento falseado…
eu não quero me enganar
 
Disponho de ser tratado
como um mero atrapalhado
que só serve pra mostrar
 
 Essa é a diferenca: duma ideia em arco-e-flecha.
 Tiro ao alvo em sua mão ao tentar me ajudar.
 
Eu nao preciso…
 
Disponho a sua ajuda,
quem precisa de um judas
buscador de recompensas?
 
Levo livre a consciencia…
que me segue, me orienta.
Eis a melhor ciência!

Grito só injusto – Thiago Amério

                grito por:
           professor
            investimento
      livros
                   estrutura

Um grito só é fraco e cansa.
Quem só espera… escreva: dança!
No país do samba quem dança é a educação.
E a gente, omisso, espera cair do céu
a esperança de um futuro de açúcar e mel.

Registro a indignação. Rara é a exceção,
mas quem “pensa” fazer “direito” e não age
só contribui para toda essa sacanagem.
(Corrupção, jeitinho, falsidade, malandragem).

 
Consciência não se dá, nem se vende.
E quando escancara… gente, ainda, se defende.

Desculpa a sinceridade:
tenho vergonha de um curso
que vende o diploma de justo
só pra fingir… justiça com atitude
está bem, bem, longe dali.

ps. cansado e decepcionado.

Eugenia – Ana Ney

 
Quem define aquilo que é perfeito?
Como é o ideal da perfeição?
Temos todos que ser do mesmo jeito?
Vamos ser tão iguais na evolução?
 
Onde está o limite da loucura?
Linha tênue entre o bem e o mal…
A razão de moldar a criatura
num já pré-definido ideal.
 
Na resposta perfeita do infinito
liberdade se impõe, qual veredito,
e por isso eu só peço a tua mão.
 
Defendendo por certo meu direito
de já não almejar o “igual perfeito”
e poder mesmo assim ser teu irmão.

Tentando – Thiago Amério

Se o futuro está no que plantamos hoje,
mesmo havendo dúvidas do que irá brotar,
não resta a menor incerteza na ação, pois…
o caminho legítimo é ao menos o tentar.
 
Se ao colhermos os frutos de outrora,
não pararmos para sequer constatar
que existiu todo um caminho tentado
em esperança de ao menos trilhar,
tornaremos ignorantes pra vida…
afinal, no que ajudei pros frutos gozar?
 
Enquanto não enxergarmos o caminho,
que existe antes de qualquer resultado,
continuaremos com olhar finito e raso,
contribuindo para essa superficialidade
que ronda os segmentos da sociedade
como se fossemos apenas mais um número
aparecido feliz na mídia: todo maquiado.
 
Conscientizar é difícil, é individual e aos poucos,
demanda tempo, paciência e dedicação,
mas o momento de tentar é o agora,
e o que me conforta é a singela tentativa…
sou instrumento para uma melhor educação
não bato palma pra um país-corrupção!
 
Neste caminhar não me corrompo fazendo
minha parte…
no modo que eu posso, com um pouco de arte,
registro o meu caminho.
 
ps. vivo por coragem… e não estou sozinho.

Conteúdo: novo dia – Marina Cardoso


Não importa a forma
mas sim o conteúdo.

A única regra
é não ter regra.

É despertar paradoxos
amor, ódio
alegria e dor,
é sentir algo que for.

É elevar a alma
levar além.

Viva!
Em movimento
vale tudo, menos ficar no mesmo lugar.

Porque o tempo
assim como o vento
leva o momento
e não volta mais.

É preciso ter a sagacidade diária de fazer as escolhas certas, ou pelo

menos acreditar com a sua vida que aquilo é o certo. 
Sinceridade não tem preço
principalmente consigo mesmo.

Porque a pior mentira
é aquela contada na frente no espelho
Sem medo

Seguir em frente
e colher no presente o que ontem foi plantado.

Quanto ao futuro
a única certeza é a incerteza.
E a Deus pertence
não me interessa.

Com o perdão do clichê,
o amanhã será sempre um novo dia
e “o Sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer”.

Grama, vento e cólera – Renato T. de Miguel

O frio assento de pedra gelava-lhe os ossos, a despeito das grossas camadas de tecido que lhe protegiam  a pele. O vento também não contribuía, e soprava gélido, ressecando-lhe os lábios e os olhos, na medida em que observava as pessoas que frequentavam o parque. Algumas corriam sobre a grama, ou se sentavam em lençóis esticados sobre o solo; algumas promoviam piqueniques, enquanto outras deambulavam apressadamente pelo pavimento sinuoso que seguia por entre as árvores e moitas, até chegar a uma precária ponte de madeira que se arqueava por sobre aquele córrego caudaloso que ele tão bem conhecia. Gostava de ir ao parque massagear os próprios pensamentos; evocar alguns sentimentos que permaneciam anestesiados pela correria do cotidiano.

O parque já havia recepcionado a decepção e o desgosto, e a tímida alegria posterior a um evento ingenuamente sublime; já havia até noticiado o amor que ele um dia sentira – e que levara àquelas árvores em agradecimento às tardes nem sempre felizes que ele, algumas vezes, a elas impusera. Nesse dia, entretanto, ele levava uma frustração levemente sarapintada de raiva. Pensou que a raiva talvez fosse um sentimento nobre, honesto, se não fosse mascarado por trás de um sorriso polido. Pensou que não deveria se recriminar pelas vezes que cultivava esse sentir. Pensou nisso por tanto tempo que a tarde ia chegando ao fim, mas o sentimento não abrandava dentro de si. Ao invés, tornava-se mais robusto, pesando-lhe os ombros e ardendo-lhe os pulmões num fogo antipático que só fazia piorar a frieza com que o vento lhe beijava a face. Essa frustração poderia não lhe trazer nenhum bem, mas, decerto, também não lhe faria mal. E mesmo que fizesse, certamente não o mataria, e não morrer poderia ser considerado um privilégio em um mundo em que às vezes (e somente as vezes) a vida era maravilhosa. A raiva, nesse aspecto, era mais bela que nunca.

A tarde foi embora, defenestrada pelo surgimento das estrelas, que pareciam não se importar com a frustração de quem quer que seja. O vento continuava ali, assobiando por entre as folhas. E a raiva também, grunhindo nos ombros e nos pulmões daquele homem. Pensou que as estrelas indiferentes mais mereciam abraçar aquele sentimento que as tardes coloridas pelos piqueniques e pelos beijos deitados na grama. E foi isso que fez: recostou-se no banco de pedra, permitindo um choque entre o gelo da terra e o fogo agitado dos pulmões, pois sabia que a noite seria longa, porque ali a cólera era nobre, e tinha um lugar reservado na imensidão acima.

Paz no coração – Igor P.F.V.

Faz mais paz?
 
 
Não há nada como a PAZ
Em nada há mais alento pra um coração
Que a serenidade de quem FAZ
Com saúde ou emoção
É o equilíbrio que norteia a razão

Pupila – Yohane Cardoso

Eis mais uma reposição artística, aproveito e divulgo seu espaço: http://janeladopensamento.wordpress.com

 

Se a arte é graça,
há de ser de graça
a energia que passa
da pena pro papel;
pauta da ponta do pensamento.
 
Se é a arte sentimento,
sintetização de sonhos,
expressão de um terço
do suprassumo do apreço,
será pupila do olhar do poeta
e será seu sorriso e seu documento.
 
Se a arte é a santa peleja
planeja prover pão pra mente
sem que se sirva de bandeja:
plante-se a semente, semeie e,
então, há colheita
de um quilo daquilo que prova
que a palavra polida apavora
tudo que não prevalece de beleza.
 
Se a arte arde na essência do homem…
É a pele apelando o apego
dedo agarrando os cabelos do vento
como quisesse que fossem de alguém.
É o joelho que encena o sossego
da terra que encerra os suplícios
da alma
e evapora as gotas de sofrimento.
É a dúvida ávida da vida que não volverá…
e o revólver do disparo foi o tempo,
que não pode parar.