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Sonho real – Thiago Amério

 

sonho vivido

Uma razão para viver,
o sonho poderia ser,
pena que no momento
que as pálpebras de belos
olhos se abrem, o cimento
da vida cinza, dura, clama em apelo:

– Acorde, sonhar é abstrato.

Uma ilusão sonolenta e perfeita.
Exceto se o mentalizado em repouso,
consiga ser vivenciado na integridade,
ou servir de estímulo para a humanidade.

Uma vontade expressa em letras,
onde a intenção cria asas das palavras
e exala do irreal, do aqui já lido,
o real sentido de um sonho vivido.

Consolo – Carla Guedes

Dessa sucessão compõe-se o mundo:
Às vezes veloz, às vezes lento
E por entre tantas órbitas confusas
Numa procissão profana e profusa
Faz girar relógio, ponteiro, pensamento.

Dessa imensidão tece-se a vida:
Infindar de consolo e desalento.
Ora riso claro, ora lágrima cristalina
Ser mulher proba, e também menina
Guarda ao mesmo tempo leveza e tormento.

Ah!, as voltas que o mundo dá
Até que se dê conta do agora.
Por hora, contemplo o momento:
Já não mais aflita pelo que foi, o que virá…
Só a paz infinita deste belo e ímpar sentimento.

Pequena e improvável paz – Renato T. de Miguel

Havia algo de relaxante na volta pra casa. Os espaços vazios do ônibus ligeiramente decadente pareciam receber as frustrações do dia que ficara pra trás. As palavras não ditas eram abafadas pelo som moribundo da cidade já sonolenta. A cabeça dele seguia apoiada na chapa de vidro morno e empoeirado da janela, e o mundo lá fora passava em ligeiros tons alaranjados, oriundos das luzes noturnas da cidade. Tudo sugeria a paz: o rio imundo que cortava o centro, o morro que serpenteava pelo bairro pobre e ia dar em uma igreja erguida em modesta arquitetura colonial, a quadra de terra batida que durante todo o dia dera palco às partidas de futebol de uma garotada risonha e magricela; e até a lua, que embora aparentasse se apiedar daquela terra sofrida, surgia quase como uma mãe zelosa, ainda que entristecida por tudo o que via diariamente. Tudo remetia à paz – uma paz que ele queria – e era fundamental que assim fosse, pois era noite e a ele só restava aguardar por aquela pequena e improvável porção de catarse que vez ou outra surgia com a escuridão e o silêncio.

grão – Carla Guedes

Um Grão sozinho.
Uma insignificância no chão.
Quem passa não atenta
Ou nota a natureza do Grão.

Ele supõe sua própria existência:
– Pequenina existência – pondera;
Mas a grandeza de sua latência
Jamais olvida, ou desconsidera.

Pois sabe que ser grão é ser partícula,
E ter o legado do devir;
É ser um pedaço condensado
Em que cabe todo o porvir.

Tarde no fim dos dias? – Thiago Amério

http://ego.globo.com/famosos/noticia/2012/12/depois-de-plasticas-geisy-arruda-aparece-de-cabelo-novo.html

fim-do-mundo

Acordei. Eram 14 horas. A última chamada chegaria. Enquanto isso eu olhava a janela do computador procurando a notícia derradeira. Ainda havia luz e comunicação. No último dia o Brasil funciona e os servidores (públicos) até trabalham.

Será que o mundo, assim, havia terminado? Em busca de notícias “reais”, abro a internet, um lugar mágico onde pode se encontrar diversas informações necessárias, principalmente, aquelas que retratam nada. A única (portanto, a melhor) notícia disponível:

– Após plásticas, Geisy Arruda muda o cabelo: ‘Cantadas aumentaram 100%’. “Os homens gostaram sim, principalmente depois da cirurgia íntima. As cantadas aumentaram em cem por cento!”, finalizou.

De fato, o mundo não existia. Aquilo não podia representar a continuidade de uma raça que manipula o fogo, o elétron, a poesia ou a música. Será que no fim dos dias as pessoas iriam cultuar só o cabelo ou o dobro das cantadas recebidas unicamente pela mudança cirúrgica íntima?

No último dia, nem Paulinho Moska acreditaria que o retrato de nossa sociedade se resumiria a plásticas. Maquiagens. Corpo. Instinto. Vazio.  Aparência cirurgicamente moldada para satisfazer os valores doentios que prevalecem numa sociedade falaciosamente sadia. Sorte que era o último dia. Azar a fabulosa Geisy, porque com o fim as cantadas dos “homens”, enfim, terminariam.

Sem sorte, a notícia era real. O mundo deu seu adeus na tarde final. O último ato foi uma cantada, graças às plásticas à mudança do cabelo. Afinal, qual conteúdo é importante pra quem se tem cabelo e plástica como recheio?

Seus olhos vermelhos

Ela andava sem rumo no aconchego da casa

Pensando nas horas de silêncio assassino

Ele arranhava, soturno, as paredes da sala

A cabeça vibrava, feito o bronze de um sino

E a inquietude, que nela avançava

Partia e chegava, com a avidez de um menino

 

Nas tardes de outono ela só caminhava

Prostrada e ereta, o pescoço franzino

A pele macia, a luz conservada

Sorriso brilhante e nariz aquilino

 

No frio e calor ele só caminhava

Xingando o labor que trouxera pra si

Nas noites de outono ele mal se lembrava

Da febre terçã que pensava sentir

 

Mentiras, verdades já não importavam

Herois e vilões se desmitificavam

Sonhos e pesadelos, só no sono ficavam

A dor e a alegria os faziam seguir

 

Quantos dias precisa pra se apaixonar? – Thiago Amério

 
Teresinha de Chico precisou 3 vezes!
Não há como precisar dias ou meses,
quiçá quantos momentos num luar.
 
Permaneço em questão:
– será que existe período calculado
predeterminado para emergir paixão?
 
Um dia inesquecível de festa
em dueto melódico ou poético?
Um rodízio de sorvetes e letras?
 
Um passeio à noite na praia?
Duas poesias correspondidas?
“Treze” músicas de um disco?
 
Tem como calcular toda raia?
Quilometragem estendida
do sentimento mais arisco?
 
Como se fosse possível medir ela
pra mensurar o tempo necessário
a fim de antever o resultado.
 
Ao metrificar o verbo da conquista
confunde-se aritmética com poema,
o (en)canto natural com algo forçado.
 
Explicações por encadeamentos lógicos
em área do saber capaz só do sentir…
torna-se naturalmente módico pra ouvir.
 
Ainda, caso tempo fosse fogo de paixão
os mais velhos sempre se amariam
e não haveria espaço algum pra traição.
 
Portanto, já que a variável do tempo
não se aplica nas canções ao vento
resta só a seguinte afirmação:
 
– Pra apaixonar-se não há equação.
A proposição é indecifrável arte e
a linguagem é a do coração.

 

Criança – Ana Ney

 

 

Correm, brincam de roda
pulam, dormem e sonham
Mas quando o sono acaba
os sonhos ainda encantam
Rainhas, reis e princesas
heróis, sem feitos quaisquer…
Na medida da beleza
ganha aquele que mais quer…
 
No mundo particular
Rosas nascem sem espinho
e seguindo qualquer rumo
encontram um só caminho
 
Com o tempo… tudo acaba
parecem “deseducar”
bruxas no lugar de fadas
lentes cinzas no olhar…
 
Então que viva a criança
que cada um tem em si
que cresça e não envelheça
pra não envelhecer, sem sentir.

Verde – Renato T. Miguel

Há épocas em que nem a primavera se salva. E nesses dias, há dias em que o cinza desafia o verde, buscando aquele espaço ferozmente batalhado durante o ano que já quase passou. Hoje foi um desses dias. Um dia bom de se sentar quieto à sombra e observar. Escolhi uma praça em que a primavera tentava se estabelecer. Feita de um cinza decadente formado por milhares de pedras portuguesas e bancos revestidos de uma lascada tinta branca que já revelava o desgaste da madeira. Aqui e ali espalhavam-se alguns postes negros de latão, com pequenas lâmpadas em cima que tentavam emular um estilo vitoriano. A água do laguinho era turva por força da imundice, e sobre ela arqueava-se a ponte metálica que reproduzia as cores da bandeira da cidade. O mais impressionante, no entanto, eram as árvores: mesmo no seio da primavera, ostentavam galhos nus e retorcidos, e as folhas mortas no chão voejavam ao comando da brisa; algumas iam beijar a água do lago, outras, mais ousadas, iam ao encontro da estrada logo abaixo. A primavera, no entanto, era valente, e tentava sobreviver à decadência que ali se instalava e, por isso, fez brotar pétalas amarelas nas extremidades de algumas das árvores. Era uma guerra bonita de se ver. A decadência daquela cidade se recusava a ir embora. A brisa parecia dizer que era tempo de mudança, e que as flores deviam crescer e prosperar no corpo dos galhos e ramos mortos, pois assim devia ser o mundo, cada um com a seu tempo sob o sol e que o período do cinza se fora; parecia dizer que deviam partir sem olhar pra trás, que o verde iria governar e, se fosse correto, daria lugar ao dourado do verão quando o tempo chegasse. E quando chegasse, a praça estaria ali para recebê-lo; com seus galhos, árvores, folhas e o lago; a estrada abaixo e a campina acima. E eu logo ali, sentado à sombra, observando, imaginando, escrevendo sobre coisas mais ou menos importantes que a infinita guerra travada entre o verde e o cinza.

Vídeo

Ode à UFF – Thiago Amério

Meu canto é pra universidade,
universo onde reina uma verdade:
a única certeza é a incerteza.

Pode-se falar com firmeza:
– não sei quando o professor vem;
– não sei resolver seu problema;
– não sei ; não posso; não tem;
– não sei se haverá a prova;
– não sei se finjo que ensino;
– não sei se finjo que aprendo;

E, não sei quem te aprova…

Pois, lá, o gerúndio domina:

– estamos tentando…
– estamos conseguindo…
– estamos esperando…
– estamos parando…
– estamos cansando!

E no interior? Clama-se, por favor:

– mais cuidado, mais zelo, mais labor.
– mais assiduidade, mais compromisso.
– mais educação, mais respeito.
– mais carinho, atenção com qualidade.

E a sociedade admira na mídia só o resultado:

– Milhares de vagas criadas…
– Não importa, vale o número.
– São esperanças sucateadas?
– Não importa, vale o número.
– O caminho é bem traçado?
– Não importa, vale o número.
– Cumpre-se o planejado?
– Não importa, vale o número.
– Qualidade ou quantidade?

E, não sei quem te aprova…

Gestores, senhoras, donos da educação.
Meu canto é a minha singela prova:
em tempo de mais incertezas novas
registro minha fiel desaprovação!

ps. não vivo por me falsear em ilusão.

Ver melho® – Thiago Amério

Vermelho, preto, branco, índio
rubro negros, racistas, massacrados,
não importa a pluralidade de cor,
menos ainda as castas por tom de pele,
saber distinto ou primitivo,
todos dessa vida podem ver melhor.

Basta registrar em seu instinto,
a capacidade de viver somando,
olhar com olhos o bom e belo
e sair de mãos dadas cantando!
Focalizando só o bem, esquecendo,
o que não convém, buscando e agindo,
com coerência, sempre, sempre, mais!

Mesmo se traiçoeiros animais,
busquem investimento em votos,
clamor popular comprado barato,
e, nem de longe, nos representem…

O que vale é o que se sente,
e não há dinheiro ou poder no mundo,
que controle nossas mentes!
Por isso, ver melhor pra ser melhor:
– É o grande passo pra frente!

Poema Vermelho – Carla Guedes

[Pra brincar um pouquinho de palavrear, e aproveitando a inspiração do Amigo Renato T. de Miguel, dou largada à trilogia das cores. Vermelho é a primeira delas, tematizada pelo dia de maior calor do ano, aqui no Rio de Janeiro, e acolá…]

Uma nuvem morna
Me lambe os sentidos.
Um calor rubro encobre a cidade
E na calçada um mendigo
queima os pés desnudos:
Nesse passo quente
dança a valsa do fim de tarde,
Lenta, escarlate e lânguida.

Vermelhidão que abraça o dia
E cansa os cidadãos apressados
Que voltam pra suas casas quentes;
E sobem em seus ônibus quentes;
E o homem de terno, redondo,
que recurva sobre o dia quente.

Tudo é tão denso.
É o suor que pinga,
é a música alta,
é o congestionamento;
E a maquiagem que escorre líquida,
na pálpebra dourada da moça,
sob o sol crepitante.
É esse termômetro interno,
descompensado,
E os bares repletos
de bebedores ávidos
Pela recompensa da sede.

[No dia carmim, a única vontade que tenho
é mergulhar no azul calmo e macio
de uma irrelevância poética glacial.]

Vermelho – Renato T. de Miguel

O sol branco ia acima e eu seguia logo abaixo; e parte do mundo ainda nem havia despertado. Eu ia subindo a ladeira enquanto os pequenos pássaros saudavam o começo de domingo. Subi o máximo que conseguia só pra avistar o mar, que me aguardava ao longe e se confundia com um céu levemente esbranquiçado num gradiente divino que ainda brincava com um tom de vermelho. Não é tão longa a caminhada se você quiser chegar à orla, sobretudo às portas da manhã, quando a brisa é suave e o aroma é o frio anélito das árvores, geralmente impregnado de terra úmida. Apenas pelo olfato já é possível delinear mentalmente o caminho: parte-se do barro (um odor que quase possui sabor), passando por algum capim sarapintado daquelas gotas de orvalho que evaporam à primeira luz do dia e chegando, finalmente, ao sal frio e úmido que envolve o mar. E é no mar que a vida começa: as primeiras pessoas praticando cooper, pedalando pela ciclovia ou simplesmente caminhando, acompanhadas ou não dos cachorros. A elas soma-se o cheiro de café que foge das casas com a velocidade de um cometa e parece resistir ao vento com a teimosia da própria areia. E por falar na areia, um ser inocente poderia até imaginar serem as pequenas dunas um amontoado interminável de tostões de ouro, ao passo as minúsculas ondas, que sempre exibem um infinito tremeluzir sob o sol, seriam diamantes cravejados numa grande colcha azul de lã. Era nesse cenário que um homem deveria viver; e só a ele deveria declarar seu amor, pois era ali que começava a vida e a verdadeira justiça do mundo seria ali ela terminar. E eu andei sob o sol em direção ao mar; vi jovens e velhos respirarem a maresia com grande satisfação estampada nas linhas do rosto; vi as milhares de pegadas e senti a segurança de quem nunca estaria só enquanto houvesse irmãos que andassem sobre aquela areia e sob aquele céu; cruzei com ela sem saber seu nome e tirei dela o esboço de um sorriso, que me mordeu como um leve beliscão na base da espinha: caminhos opostos, destinos iguais. E mesmo que nesse dia eu não tivesse nenhuma música, eu podia jurar que ouvia o soar de um sino… hoje já era o bastante. Rumei o caminho de casa enquanto um velho rádio na padaria cantarolava: Trago nesses pés o vento / pra te carregar daqui / Mas você sorri desse jeito / E eu que já perdi a hora e o lugar… Aceito.

Saudade alheia – Renato T. de Miguel

O relógio digital no fim do estreito corredor marcava 23h04 e 22°C, temperatura que estimulava a letargia, ainda mais no escuro e sacolejante interior do grande ônibus de viagem. Minha cabeça estava meio apoiada na espessa chapa de vidro da janela e os olhos estavam fechados em tributo ao longo, longo dia que eu acabara de deixar para trás. Nos meus ouvidos ressoava Street of Dreams através dos fones. Na perna direita repousava a obra de Mary Shelley, cuja tentativa de leitura não resistira ao labor.

O veículo estava agora parado, sob o abrigo do pequeno terminal rodoviário de Casimiro de Abreu. Se os meus olhos estivessem abertos naquele momento, eu teria visto uma jovem moça descer do ônibus e retirar uma mala de rodas do bagageiro, mas o que eu vi ao erguer as pálpebras foi uma menininha de cerca de quatro anos de idade descer as pequenas escadas do ônibus e atravessar a porta automática. A mãe ainda se ocupava da bagagem, mas a menina parecia não se importar, pois agitava uma bandeirinha na mão direita e corria para o meio do salão, em direção às lanchonetes já fechadas. Ali, esperava um grupo de pessoas sorridentes, e um menino de aproximadamente treze anos de idade veio contente em direção à garotinha, abraçou-a e girou-a no ar. Ambos literalmente pulavam de alegria, alegria essa que parecia insuflar ainda mais prazer aos adultos que observavam a cena. Um jovem homem apoiado em uma bengala foi auxiliar a moça com as malas, a título de saudação.

Tudo isso eu observava de longe, e os fones ainda funcionavam, mas eu não mais poderia dizer quem cantava o quê. Minha mente se concentrava naquele grupo, destacado no vazio daquela rodoviária deserta. A saudade ditava o ritmo do encontro e as crianças literalmente pulavam enquanto os adultos se cumprimentavam. Mesmo sem poder ouvir nada, mesmo sem conhecer aquelas pessoas, sabia exatamente o que sucedia, pois a saudade me parecia uma linguagem universal, um latim vivo dos velhos amigos ou mesmo um texto em braile pra um coração cego que dizia “eu te amo”.

Estranhamente, agora eu me encontrava plenamente desperto, e enquanto o ônibus partia, senti uma ligeira vontade de acenar para aquele grupo de desconhecidos. Lembrei que não precisava fazêl-lo, visto que ao se embrenhar noite adentro e estrada afora, aquele grande veículo, escuro, frio e chacoalhante, me levava em direção à minha própria e insone saudade.

Macaé, 06 de setembro de 2012

É realidade: reforme-se – Thiago Amério

 
Faz muito tempo que não lhes digo nada
Nem seria pela televisão ligada…
 
Sabe, a mente se abriu e o funil se inverteu:
percebo viver num mundo de medo e dor
onde a contradição persiste em fulgor
e a ideologia da mudança vira pigmeu.
 
Sobra um eu-lírico, só, abafado e trancado
em ideias não correspondidas a fatos
e fatos escancarados na mídia comprada.
 
– Cultivadora de lixos em valores primitivos;
– Pioneira nas amostras da violência desenfreada;
– Fomentadora do consumismo alienado.
 
Entre os hiatos de esperança, respiro…
Constatando erros crassos, suspiro…
 
Como existir justiça em incoerência?
Por que punir pobre e rir pra futilidade?
Qual lei um amigo respeita?
Quem compõe a casta sistêmica?
 
Nós.
 
Na zona de conforto,
se há ser humano morto na esquina,
caso não seja dos seus,
finge-se não ver.
 
Na cidade real,
o circo da política inicia a palhaçada,
e no mesmo período tiros nas costas
matam jovens esperançosos na arte.
 
Não faz parte de fantasia,
omissos no egoísmo,
compomos a realidade nua e fria.
 
Colocamos por debaixo do tapete,
o óbvio de ver:
a culpa disso tudo, começa e termina
em você!