Poema I – Renato Miguel
Muitos dos homens que se diziam crentes caíram sós de repente, prostrados diante do nada;
E muitas horas que se seguiam contentes eram leões sorridentes,
Ricina em frasco de prata.
Mas todas as vezes que nos viramos doentes,
De tudo pouco cientes, à luz da lua gelada,
A vida e a morte beijavam-se solenemente;
Amavam-se honestamente e corriam ao sol de mãos dadas.
E a bela princesa na torre presa a correntes,
Já não mais sabe o que sente, já não se lembra de casa.
Pois o deus dela é um menino louco e inocente, sua obra é dura e eloquente.
Drama em um conto de fadas.
Mas sua alegria no meu corpo é uma semente, dor é a vida de quem sente, como a luz na madrugada.
E o nosso medo é o universo consciente…
de que temos sempre à frente…
um sol que arde na esplanada.