O que sobrou da fé – Renato Miguel

No meu céu há estrelas que brilham e astros que morrem
No meu rosto há um passado sereno esquecido por mim
No meu chão há buracos e um sangue que não me comove
No futuro, um mar de horrores a graças que ainda não vi
No meu peito há um vazio de anos que a ti despertou
Nos teus olhos, fulgor e promessas de um novo verão
Mas de Deus, dos meus sonhos e cantos, já nada restou
Da minha fé o que resta são versos dessa pobre canção
Teu sorriso ilumina e aquece minha face vazia
Esse rosto, tão frio e ansioso que grita por ti
Minha fé não vê céu ou inferno, nem morte, nem vida
A Palavra é um livro simplório tal quantos que li
Mas, senhora, não fujas de mim, sou alma perdida
Teu olhar é o Deus que eu conclamo, é a fé que eu pedi.
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