O Ponto – Paulo Roberto de Aquino Ney
Salve o soneto para sermos um ponto de reticências…
contínuo e agregador!
Era uma vez um ponto, um ponto pequenino,
que queria ser mais que um ponto… e um dia, então,
Deus lhe deu, na aparência, o mágico destino
do belo e singular ponto de exclamação.
Feliz, a carregar aquele traço fino,
igual, na vertical, ao traço de união,
nem percebeu na hora o grande desatino
que haveria de vir daquela interjeição.
O tempo foi passando, e o ponto, sob o peso
do traço, foi perdendo o seu aspecto coeso,
e curvou-se, afinal, numa interrogação:
– O que será de mim nas mãos do analfabeto?
Quisera ser, de novo, um ponto, irrequieto,
singelo em qualquer língua, exato em qualquer mão!
Era uma vez um ponto, um ponto pequenino,
que queria ser mais que um ponto… e um dia, então,
Deus lhe deu, na aparência, o mágico destino
do belo e singular ponto de exclamação.
Feliz, a carregar aquele traço fino,
igual, na vertical, ao traço de união,
nem percebeu na hora o grande desatino
que haveria de vir daquela interjeição.
O tempo foi passando, e o ponto, sob o peso
do traço, foi perdendo o seu aspecto coeso,
e curvou-se, afinal, numa interrogação:
– O que será de mim nas mãos do analfabeto?
Quisera ser, de novo, um ponto, irrequieto,
singelo em qualquer língua, exato em qualquer mão!
Deixe um comentário