Conto dos mascarados – Thiago Amério
Numa cidade muito longe daqui havia diversos professores, estudantes, trabalhadores, policiais – cidadãos -. Eles pagavam seus impostos à rainha. Ela, pra se manter no trono, controlava os mensageiros do reino. Todos os mensageiros vendiam a história de que estava tudo muito bem, apesar da população nunca ser bem atendida pela sua corte. Só aqueles que lhe davam moedas altas eram atendidos – com cuecas cheias de ouro.
A corte africana, européia e americana comprava essa ideia – falsa – e manipulada. Um dia eles organizaram um campeonato. Falaram que todos os reinos iriam visitar o reino daquela cidade. Todos se prepararam, desviando o máximo de recurso possível, para que não faltasse nada a ninguém. Mas todos se prepararam mesmo. E aqueles que se calaram começaram a falar o óbvio de ver e sentir. Tudo em paz e pela paz, ecoavam os gritos:
– Acabou a palhadaçada. Não queremos mais esse circo. Quem rouba pão de criança merece vazar. Governo corrupto não nos represente, ao menos tenha mérito. Dignidade.
Pacificamente, os cidadãos, gritavam por aquilo que eles merecem – o básico de um serviço público – respeito e qualidade.
A rainha e os súditos mandavam bater e espancar os gritadores. E espalhava papeis dizendo que estava tudo bem, tudo controlado, tudo comprado com seu ouro – vendido e de tolo -.
Aí acontece o esperado. Tudo acaba, a rainha sai de cena e o jogo começa.
E o reino vive feliz pra sempre. Juntos e em solidariedade. E aqueles que roubavam descaradamemte – passam a temer e roubar (bem menos) disfarçadamente. E o reino segue até hoje, mais honesto, mais moral, mais equilibrado, mais em paz.
Era dezembro (21) e a cidade era do petróleo.
