Historieta do amor que alimentava III – Thiago Amério
Hoje acordei mais tarde do que previsto, embora tenha chegado cedo, dormi de novo e acordei no meio do dia. Bebi suco de uva e água. Ando com sede. Voltei a ter fome. Sei que não era com tanta magnitude quanto outrora, mas voltei a senti-las. Sempre fui uma pessoa que deixava o sono e a fome no controle, mas, agora eles, mais fracos do que eu pensava, ainda existem. As horas passam mais devagar. A vontade de comer e a de dormir vem mais rápido do que já vieram. Tenho dúvidas sobre o que, na realidade me preenche. Se é o preenchimento que seduz o homem e faz com que ele pare de sentir necessidades ou se é algum problema hormonal banal. Não sei, mais, o que conduz a fome ou o sono para eles chegarem mais rápido ou mais devagar na nossa cabeça. A vontade de dormir (e de comer) chega, tal como, a vontade de me preencher. Mas como saber se vou me preencher certo? Como me sentir seguro a ponto de guardar só um preenchimento? Qual a mágica pra fazer com que a fome e o sono sejam atingidas por ele? Será que a lista permanece a mesma (fútil, superficial, numa lógica de recompensa imediata)? Quem pode me comprovar se o amor é pra ser (ou não) um investimento? A saudade provocada pelo preenchimento anterior (que me fazia, ontem, não ter fome ou sono) me incomoda. Não sei se é verdade, mentira ou realidade. Não sei mais nada. Só sei que queria ‘comer’ bem de novo. Agora, quando saberei se o sonho da alforria conjunta será realidade? Permaneço em meia fome e meio sono.
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