Historieta do amor que alimentava II – Thiago Amério
Hoje tarde, atordoado, bebi suco de laranja. Sei que não era a maior necessidade maior do homem (beber), mas na praia, sozinho, estava delicioso. Sempre fui uma pessoa que deixava o sono e a fome me controlar. Hoje eles são mais fracos do que eu pensava. Nunca foi assim. Desde sempre. Mas, hoje, tudo é diferente.
As horas demoram e a fome, bem mais tarde, que vem. E mesmo acompanhada do sono, não é essa companhia que me preenche. Sou preenchido por algo que seduz o homem. Quem conduz a fome e o sono pra (eles) chegarem devagar na cabeça da gente.
A vontade de dormir chega, tal como, a vontade de me preencher. Quanto tempo será que dura (o fazer-se de difícil pra não ser mais um da lista) isso? Quando se come bem e depois se cospe a fruta fica encantada, afinal, qual o porquê de não se comer bem de novo? O que eu (fruta) tenho que fazer para que a vontade de comer (de novo) nunca acabe? Já nem sei se tenho fome ou sono. Saio… está escuro… (é que já são 20:30 h). Deito e finjo não me importar. Quero dormir pra me saciar. Quem sabe no sonho da alforria eu me alimento?
