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Seus olhos vermelhos

by em 03/12/2012

Ela andava sem rumo no aconchego da casa

Pensando nas horas de silêncio assassino

Ele arranhava, soturno, as paredes da sala

A cabeça vibrava, feito o bronze de um sino

E a inquietude, que nela avançava

Partia e chegava, com a avidez de um menino

 

Nas tardes de outono ela só caminhava

Prostrada e ereta, o pescoço franzino

A pele macia, a luz conservada

Sorriso brilhante e nariz aquilino

 

No frio e calor ele só caminhava

Xingando o labor que trouxera pra si

Nas noites de outono ele mal se lembrava

Da febre terçã que pensava sentir

 

Mentiras, verdades já não importavam

Herois e vilões se desmitificavam

Sonhos e pesadelos, só no sono ficavam

A dor e a alegria os faziam seguir

 

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