Seus olhos vermelhos
Ela andava sem rumo no aconchego da casa
Pensando nas horas de silêncio assassino
Ele arranhava, soturno, as paredes da sala
A cabeça vibrava, feito o bronze de um sino
E a inquietude, que nela avançava
Partia e chegava, com a avidez de um menino
Nas tardes de outono ela só caminhava
Prostrada e ereta, o pescoço franzino
A pele macia, a luz conservada
Sorriso brilhante e nariz aquilino
No frio e calor ele só caminhava
Xingando o labor que trouxera pra si
Nas noites de outono ele mal se lembrava
Da febre terçã que pensava sentir
Mentiras, verdades já não importavam
Herois e vilões se desmitificavam
Sonhos e pesadelos, só no sono ficavam
A dor e a alegria os faziam seguir
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