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A vontade que não passou; se aquietou – uma Rute aí

by em 20/04/2012
Era uma menina como outra qualquer… Na verdade, como outro ser humano qualquer: possuía vontades. E, vontades, todos têm.
 
Mas o que intrigava a menina não era ter vontades, e sim o conteúdo delas. Naquele momento, a vontade que a tomava e a fazia lamentar-se pela impossibilidade da materialização, era de sumir e deslocar-se para o meio de um campo florido, em que houvesse um piano e o som de muitos violinos no ar. Ali, ela apertaria teclas, no rumo da música orquestrada e, junto à natureza que a rodeasse, se tornaria parte do coro que geme pela redenção de todo o mal que há no mundo – inclusive o seu próprio.
 
“Será possível que só à minha mente tudo isso acorra?”. E pensou que, na verdade, isso talvez não importasse muito. “O que importa não são os detalhes do conteúdo da vontade. Afinal, sei que muito neste mundo geme junto a mim, estou certa disso”. O que importava era que não estava sozinha, nunca, nem por um segundo.
 
E, isso posto, voltou à realidade momentânea, voltou à sua tarefa no trabalho… Contudo, com um pouco mais de paz e esperança. E, diferentemente do que dizem sobre “vontades”, aquela vontade não passou – se aquietou. O tempo haveria de chegar.
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