En(cantando) – Thiago Amério
Ela vem encantando enquanto canta.
Ela foge correndo quando acaba.
Ele fica encantado enquanto ouve.
Ele queda parado quando a santa,
mulher profana que se achava,
no direito certo, com sua voz doce,
de sair sem grandes despedidas.
Ele pensa: – como as canções queridas,
tão bem expressadas pela donzela,
capazes de ir tão fundo d’alma,
conseguem fugir pela janela:
transformando a antes paz calma,
em uma constante saudade ingrata?
Ela, perdida e longe já, retorna e o mata:
– Eu só vim cantar…
– Mas seu (en)canto me fez repará-la…
– Mas eu já estou de mala….
– Há tempo de desfazê-la?
– Talvez…
– Prazer em conhecê-la.
Ficou lindo, Thiago. Parabéns…….
Bela poesia amigo Thiago. Parabéns!
Acredito que o poeta é alguém que consegue perceber nas coisas externas que vê não só o que vê, mas, sentir na alma as possibilidades de expressar nas palavras ou na escrita as reflexões que vem do fundo do coração. Apesar de parecerem almas sensíveis, são na verdade, almas fortes, já que estão mais preparadas para enfrentar os embates da vida.
Parabééééns primo!!!
Já teve a quem puxar heim?!
Tio Paulo deve estar todo contente por aí…. rsrs
Continue assim 🙂
Mande beijos a todos!
Esperamos por vocês aqui em Vitória heim?!
Beeijos
Palavra En(cantada)*
Ela se concentra enquanto canta,
Fecha os olhos; mas de repente nota
Ele enlevado fitando, recitando-a,
Nota a nota.
Ela parte ligeiro, esguia,
Da mesma forma que pousou breve.
Ele a espia faceiro, mas não imagina
A razão de seu passo ligeiramente mais leve.
Ela pensa: – como olhos tão translúcidos
Puderam fazer da noite escura
Um recanto de calmaria, e dilatando
O doce arrepio que a saudade perdura?
Ele, embevecido, a detém:
– Não fujas sem antes lhe falar…
– Mas o (en)canto tudo diz…
– Mas é que não convém esperar!
– Posso desfazer as malas.
– Canta de novo?
– Se tu me acompanhares…
En(cantado)
Ele se arrepia e se espanta,
não esperava que a santa,
Mulher profana que se achava,
no direito certo, com sua voz doce,
de sair sem grandes despedidas,
pudesse desfazer as malas e
acompanhá-lo nas vidas.
Ele admite:
– O (en)canto foi lançado,
sob a mala de (part)ida.
sob a linha inseparável,
que é capaz de ser sentida,
mas incapaz de dividida,
tal como:
a arte de um ser,
o amor de ser viver,
o encanto do querer.
Ela confessa:
– O artista antes é,
um humano a trilhar,
sentimentos a percorrer,
num caminho a brilhar;
não tem como esquecer,
nem tampouco separar,
do que diz e do que sente.
Por isso que poetas ainda mentem,
com seus versos reluzentes,
a real inspiração,
disfarçada em expressão.
E ela, logo, então, en(canta).
E ele, então, logo, encantado!
En(cantar)*
Ela se enche de alegria e espanto,
Não esperava que o poeta,
Recitando-a, nota a nota,
Recitasse também o querer,
E a acompanhasse no en(canto).
Ela admite:
– Desde muito tinha sido desfeita
A mala de partida,
E só me restavam os dias
Cheios de futuro incerto
Sem cor, açúcar,
Norte ou afeto.
Mas recitaste o amor,
E trouxeste o violão
E assim me (des)norteia
E me acompanhas,
Na vida e na canção.
Ele confessa:
– Não procurei, não procuravas,
Não me trouxeste nada:
Só tua canção.
Por isso os poetas sabem
Que seus versos mentem
E ainda assim
Não escondem o que sentem,
Nem a real inspiração.
E sob a lua eles se en(cantam).
E pela vida, seguem, en(cantados).
Que lindos!