Ode – Carla Guedes
Poesia,
És tu, querida,
A desmanchar-se lânguida sobre o papel
Ao demorar-se líquida
Sobre um par de asas distraídas;
Ao rarear-se borboleta-vocábulo
Que acaba de pousar
Soletradamente
Sobre a flor da manhã ignóbil.
És tu que pausa, demorada,
Sobre as pálpebras do dia morno
Mesmo que querendo apressar-se
Sobre a onda desarrolhada na margem.
Poesia,
És tu, querida,
Que vem abeirar-se de meus muros,
Mesmo sem se saber concreta;
E acerca-se madura da fruta
Que ainda se demora em semente;
E que emerge destemida
Sobre as ruínas
De um tempo morto.
Ainda assim, Poesia,
Ruminas
Na boca do dia
Um vocábulo novo!
Poesia,
És mesmo tu, querida.
Oh! Tu, que vem
Bendita
Espionar-me
Os passos da rotina
Inimiga.
A poesia é amiga de verdade, ela não avisa ou demora. O importante é que ela chega.
Pra mim:
A poesia é mesmo assim,
tão bela como um conquistador afim,
tão ociosa… mas uma pedra preciosa,
quando então enxergada,
tão serena, tão amada…
encantadora de namorada!
Por muitos esquecida,
ou não observada…
Dizem que anda desaparecida…
Apagada…
Por ao menos dois foi sentida!
Então ela é ressurgida!
Voltamos ao começo…
Como uma história sem fim…
É a poesia é mesmo assim!
https://aarteprocurandoserreposta.wordpress.com/2012/02/27/o-dialogo-de-quem-nao-se-encontra/
A poesia é amiga de verdade, ela não avisa ou demora. O importante é que ela chega…
Pra mim:
A poesia é mesmo assim,
tão bela como um conquistador afim,
tão ociosa… mas uma pedra preciosa,
quando então enxergada,
tão serena, tão amada…
encantadora de namorada!
Por muitos esquecida,
ou não observada…
Dizem que anda desaparecida…
Apagada…
Por ao menos dois foi sentida!
Então ela é ressurgida!
Voltamos ao começo…
Como uma história sem fim…
É a poesia é mesmo assim!
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