Menina A, menina Z – Renato T. de Miguel
Assim foi um dia ao lado dela. Às nove deu bom dia para a mãe; às dez xingou um ciclista na calçada. Às onze explodia em energia, ao passo que ao meio dia bocejava. Às treze se pôs a admirar um pássaro, mas às quinze chutou um cachorro. Às quatro me afagou os cabelos; às cinco me arranhou os braços. Às dezoito amava John Lennon, às sete, no entanto, queria morto Paul Mccartney. Às oito ela queria carinho, já às nove, queria distância. Às dez horas meu de um beijo, às onze, todavia, me tomou a alma. Essa era a dualidade que me consumia e me encantava. De madrugada, sem ela, me deitei na cama, e ao meu lado avultava a janela. Olhei para a noite e vi apenas uma lua – não podia ser o bastante, pensei. Dormi sorrindo. E acordei sonhando.