A linha tênue – Thiago Amério
Acordo.
Futuro Incerto.
Da janela do quarto vejo o certo.
Ou tal qual penso em minha idade:
o que faz-se bom por minha ingenuidade.
Reflito.
Penso no dever moral da sociedade.
Finjo estar em total saciedade.
Não quero prorrogar a mocidade.
Levanto.
Ainda é cedo para o pranto.
Busco a liberdade pura,
a dita sem filura, na cara dura,
sem ser a do sexo ou a que cura.
Ando.
Guardado sem medo de solidão,
tomo a inciativa ou não?
E o dever de ir além do que há perto?
Sem curar a dor da amada.
Sem buscar enxergar uma alvorada.
A pura ideologia de sair sem se gastar.
Do chover sem se molhar.
Corro.
E a sensação de uma conquista?
É melhor a vida pela aparência?
Sem resquício de essência,
só pra ser mais um da lista.
Canso.
Queria essa imutável dualidade.
Queria não me abdicar da vaidade.
E ao mesmo tempo amar, de verdade.
Paro.
Posso me equilibrar.
Mas, na linha tênue sou incapaz de separar:
a serenidade, do prazer,
a vontade, do sofrer.
Continuo nela.
Junto o inseparável.
Digo ser palpável,
aquilo capaz de explodir,
num só único latir.
Durmo.
Me sonho na linha,
e aí… adivinha?
– Ela padece tênue!
Thiago Amério