Solidão – Paulo Roberto de Aquino Ney
A solidão é a sorte
das almas mais elevadas,
embora ao léu das estradas
elas nasçam pelo chão,
onde, compensando a morte,
o amor ingente, infinito,
fique muito mais bonito
nas horas de solidão…
A solidão é virtude,
pois não se aprende ou se ensina…
Mas quando tudo termina
e o tempo deixa de ser,
ela diz (o que não pude)
que ser feliz é ser triste:
a solidão não existe
quando a dor vira prazer!
A solidão é mais bela
que a beleza que há nas flores…
nos seus mistérios a cores
ou seus brilhos de luar,
pois que tudo sendo dela,
é só meu, tenho certeza,
o seu cheiro de tristeza
naufragada pelo mar…
A solidão, de repente,
vira tudo pelo avesso
e mostra, desde o começo
até o fim, se contém
ou não contém o que a gente
decora, aprende ou encena,
pela existência pequena,
mas que vale o vaivém…
A solidão principia
quando eu uso o tempo, tanto
quanto eu posso, enquanto o pranto
não invade os olhos meus…
E se dela eu não sentia,
não a falta, mas a alma,
é que a solidão me acalma,
como luz vinda de Deus!
A solidão é a morte
das almas mais elevadas,
embora ao léu das estradas
elas cresçam pelo chão,
onde, compensando a sorte,
o amor, ingente, infinito,
fique muito mais bonito
nas horas de solidão…
Ah!… solidão, criatura
que veio das profundezas
de recônditas certezas
ou de dúvidas, quem sois?
— Eu sou a parte mais pura
da minha dualidade:
alma gêmea da saudade,
somos antes… e depois!
(Paulo Roberto de Aquino Ney – inédita)
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